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“Não sei marchar com o passo trocado”, diz general que bateu com a porta

Numa publicação na sua página no Facebook, Faria Menezes, o atual comandante operacional das Forças Terrestres que anunciou a sua demissão do cargo, reforça a ideia de que houve um “vínculo sagrado” que foi “quebrado”. “Não sei formar na Parada nem marchar com o passo trocado, violando valores e princípios”, escreveu o general

Helena Bento

Jornalista

Faria Menezes, o atual comandante operacional das Forças Terrestres que, este sábado, anunciou a demissão do cargo, escreveu uma mensagem na sua página de Facebook em que explica a sua decisão. “As Forças Armadas são motivo de enorme orgulho dos Portugueses. Somos relevantes na Paz ou em situações de elevado risco, somos presentes e solidários sempre que necessário e prestigiamos o Estandarte da Pátria em remotas paragens. Tenho inusitado orgulho de me fardar para Servir. Ando fardado e com brio desde menino e cresci nos Claustros onde se pratica a Honra e a Responsabilidade”.

“Amo o Exército”, escreve o tenente-general. O Exército que “sempre” fez dele “melhor que as [suas] parcas qualidades”. E continua: “Tenho o privilégio de ter aprendido e servido com uma elite de Comandantes e Subordinados que conquistaram o epíteto de Soldados!”

O general Faria Menezes vai apresentar, na próxima segunda-feira, a sua demissão ao chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), Rovisco Duarte. Em declarações ao Expresso, explicou que a sua decisão não tem a ver com o facto de ter sido preterido para o cargo de vice-chefe de Estado-Maior do Exército, mas com a forma como o general Rovisco Duarte geriu o caso do furto de armamento militar em Tancos. “Com a exoneração dos cinco comandantes houve uma quebra do vínculo sagrado entre comandantes e subordinados. Por respeito aos princípios e valores que perfilho, vejo-me obrigado a pedir a exoneração como comandante das Forças Terrestres”, disse o general.

A ideia de que houve um “vínculo sagrado” que foi “quebrado” é reforçada na publicação na rede social, que já tem mais de 300 “likes”. “O vínculo sagrado da confiança entre Comandante e Soldados nunca pode ser quebrado. É conquistado pelo exemplo e faz com que a forte gente nos siga num último lanço indiferente ao perigo”, escreve Faria Menezes. “Não sei formar na Parada nem marchar com o passo trocado, violando valores e princípios partilhados com excepcionais Oficiais, distintos Sargentos, exemplares Praças e dedicados Civis que servem Portugal e os Portugueses todos os dias e em todas as circunstâncias”, conclui.