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Exército reage a demissões: um general já tem substituto

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Exército diz, em comunicado, que aceita a saída do comandante do Pessoal do Exército, José Antunes Calçada, que passará então à situação de reserva. Nada é dito, porém, sobre a saída do general Faria Menezes, que este sábado anunciou igualmente ao Expresso que vai abandonar o cargo que ocupa, em rota de colisão com Rovisco Duarte, o chefe do Estado-Maior do Exército, por causa do roubo na base militar de Tancos

Helena Bento

Jornalista

Saída do comandante de Pessoal do Exército, José Antunes Calçada, foi aceite pelo General Chefe do Estado-Maior do Exército, Rovisco Duarte, segundo informa um comunicado emitido este sábado.

José Antunes Calçada passará então à situação de reserva, conforme o próprio tinha solicitado. Será substituído no cargo pelo vice-chefe do Estado-Maior do Exército, o tenente-general Rodrigues da Costa, lê-se ainda na nota. As decisões terão já sido comunicadas ao ministro da Defesa.

O comunicado nada refere sobre o comandante das Forças Terrestres, o general Faria Menezes, que, tal como José Antunes Calçada, anunciou este sábado, em declarações ao Expresso, que vai abandonar o cargo que ocupa, em rota de colisão com Rovisco Duarte, o chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), por causa do roubo na base militar de Tancos.

Ao Expresso, Faria Menezes diz ter ficado indignado pela forma como o CEME demitiu, na praça pública, e em horário nobre, os cinco coronéis responsáveis pelas rondas nos paióis de Tancos que foram assaltados. “Com a exoneração dos cinco comandantes houve uma quebra do vínculo sagrado entre comandantes e subordinados. Por respeito aos princípios e valores que perfilho, vejo-me obrigado a pedir a exoneração como comandante das Forças Terrestres”, disse o general.

Também José Antunes Calçada considera que a forma como Rovisco Duarte decidiu exonar cinco comandantes por causa do furto de armamento foi “inqualificável”. O general Calçada garante que “nunca pretendeu” ser promovido a vice-CEME, lugar que Rovisco Duarte já tinha feito saber que não viria a ser ocupado pelo comandante do Pessoal, e entregou entrou uma declaração para a passagem ao estatuto de reserva.