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Videovigilância em Tancos avariada “há cinco anos”, diz deputado do BE

João Vasconcelos, deputado do BE, disse que durante os trabalhos da comissão de Defesa Nacional, os deputados ficaram a saber que a avaria no sistema de videovigilância nos Paióis Nacionais de Tancos dura “há cinco anos”. Não revelou, contudo, quem deu essa informação aos deputados

Helena Bento

Jornalista

João Vasconcelos, deputado do Bloco de Esquerda, afirmou esta sexta-feira, durante a audição ao ministro da Defesa por causa do roubo em Tancos, que a videovigilância na base militar em causa está avariada há cinco anos.

Durante os trabalhos da comissão de Defesa Nacional, disse o deputado, “ficámos a saber que a avaria no sistema de videovigilância nos Paióis Nacionais de Tancos não dura há dois anos, mas há cinco anos”. João Vasconcelos não revelou, contudo, que deu essa informação aos deputados.

O deputado falava durante a audição do ministro da Defesa, Azeredo Lopes, na Comissão de Defesa Nacional. Azeredo Lopes aproveitou a oportunidade para manifestar a sua confiança no chefe do Estado-Maior do Exército, Rovisco Duarte, que “em circunstância nenhuma deve ser demitido”, e garantir que, “ao contrário do que alguns fizeram crer”, não tinha “qualquer conhecimento de nenhuma situação grave ou urgente que fosse necessário corrigir relativamente à segurança dos paióis [de Tancos]”. “Não tinha em minha posse nenhum pedido, nenhuma chamada de atenção que identificasse uma situação grave ou urgente que pudesse existir nestes ou noutros paióis.”

O ministro esclareceu ainda que a segurança dos paióis é uma questão de gestão operacional que “cabe aos ramos” e garantiu não ter “em momento algum” desvalorizado o que aconteceu a 28 de junho na base militar em Vila Nova da Barquinha, no distrito de Santarém, quando um buraco aberto numa das redes das instalações permitiu a saída de material de guerra (“granadas foguete anticarro”, granadas de gás lacrimogéneo e explosivos, conforme foi divulgado pelo próprio Exército).

Durante a sua audição, Azeredo Lopes negou ainda ter desvalorizado a gravidade do roubo de armas, recordando que, logo no dia seguinte ao roubo, ou seja, a 29 de junho, disse aos jornalistas, ainda em Bruxelas, que se tratava “evidentemente de um facto grave”. “Esta avaliação que exprimi pública e prontamente na primeira hora não alterei ou adociquei", disse aos deputados.

O ministro refutou ainda a tese de que o incidente em Tancos teve um “impacto negativo na imagem de Portugal no exterior”. Disse ter falado pessoalmente com o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, que “nunca valorizou excessivamente” o sucedido e garantiu ao ministro português que a “reputação de Portugal permanece intacta”. Da organização terá vindo também a certeza de que a “confiança em Portugal e na sua capacidade de resolver esta situação” mantém-se inabalável.