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Cinco perguntas a que Azeredo Lopes tem de responder para explicar ao país o furto em Tancos

Marcos Borga

Sabia ou não sabia? Pressionou ou não pressionou? Responsabilidades políticas, imagem externa e investigação. Eis algumas das questões com que os deputados deverão confrontar o ministro da Defesa esta sexta-feira no Parlamento, onde vai ser ouvido

Carlos Abreu

Jornalista

Quando esta sexta-feira Azeredo Lopes for ao Parlamento, pelas 16h, explicar aos deputados da comissão de Defesa o furto de material de guerra em Tancos, há pelo menos cinco questões com que o ministro poderá ser confrontado.

A audição requerida pelo PSD e pelo CDS-PP, e aprovada por consenso entre todas as bancadas na reunião da comissão, decorrerá à porta aberta, mantendo-se a possibilidade de fechar a reunião à comunicação social se surgir algum motivo que o justifique.

1. O ministro da Defesa já tinha sido alertado pelos serviços do seu Ministério ou pelo chefe do Estado-Maior do Exército para a falta de condições de segurança nos Paióis Nacionais de Tancos?

O facto de ter autorizado a realização de despesa para reparar a vedação exterior dos Paióis Nacionais de Tancos dias antes do assalto não prova que o ministro sabia do estado em que se encontravam estas instalações militares, tal como defendeu na entrevista à SIC. “Tratou-se de um procedimento concursal em que o Exército submete [ao ministro], porque é necessário considerando o montante envolvido – estamos a falar com IVA de mais de 365 mil euros só para o efeito do reforço das vedações”, explicou Azeredo Lopes em entrevista à SIC.

epa/paulo novais

2. Azeredo Lopes pressionou o chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte, a exonerar os comandantes das cinco unidades responsáveis pela segurança dos Paióis Nacionais de Tancos?

Em entrevista à RTP, o chefe do Estado-Maior do Exército anuncia a exoneração dos comandantes de cinco unidades: Regimento de Infantaria 15 em Tomar (coronel Ferreira Duarte); Unidade de Apoio da Brigada de Reação Rápida em Tancos (tenente-coronel Correia); Regimento de Paraquedistas em Tancos (coronel Hilário Peixeiro); Regimento de Engenharia n.º 1 em Tancos (coronel Paulo Almeida); Unidade de Apoio de Material do Exército em Benavente (coronel Amorim Ribeiro).

“Não quero que haja entraves às averiguações e decidi exonerar os cinco comandantes das unidades que de alguma forma estão relacionadas com estes processos”, justificou na altura o general Rovisco Duarte. No dia seguinte, surgem na imprensa notícias que dão como certa a existência de pressões políticas sobre o chefe do Estado-Maior do Exército.

3. Se o inquérito interno ordenado por Azeredo Lopes concluir que existem responsabilidades políticas no furto do material militar em Tancos, o ministro apresenta a demissão?

“Assumo a responsabilidade política pelo simples facto de estar em funções”, disse Azeredo Lopes aos jornalistas a 1 de julho em Castelo Branco, à margem das comemorações do 65.º aniversário da Força Aérea Portuguesa. “O simples facto de estar em funções, implica uma responsabilidade quotidiana e não é agora que eu me vou escusar a ela. O que chamo a atenção é para a natureza distinta das circunstâncias que envolvem este caso. Pelas circunstâncias pelas quais diretamente eu respondo, procurei esclarecer e procurei explicar”, sustentou, citado pela Lusa. “Vou ter de esperar pelas conclusões da auditoria (...) e vou também esperar pela reflexão que, necessariamente, também promoverei junto das chefias dos três ramos [das Forças Armadas], para que possamos, trabalhando em conjunto, encontrar forma de este tipo de situações poder ser detetado mais cedo e, em segundo lugar, podermos evitar a sua repetição”, disse ainda o governante.

paulo novais/ epa

4. O que pensa fazer Azeredo Lopes para mitigar o impacto deste furto na imagem externa do país e das Forças Armadas?

Na entrevista à SIC, o ministro disse que Portugal tinha informado os seus Aliados do furto pelos canais apropriados, ou seja, os serviços de informação e segurança. Esta quarta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros disse aos deputados, no Parlamento, que o assalto aos Paióis de Tancos em nada afetou a imagem externa de Portugal. “Todos nós aprendemos a ser humildes e cuidadosos. As ameaças do ponto de vista natural e do ponto de vista dos fatores humanos são tantas, hoje, sobre nós todos, que todos sabemos a exposição em que nos encontramos. Sabemos distinguir o acidental do substancial. No substancial, Portugal é dos países mais pacíficos, mais seguros, mais comprometidos com a ordem multilateral e mais confiáveis do mundo de hoje”, afirmou o chefe da diplomacia, citado pela Lusa.

5. O que está a ser feito para localizar o material militar furtado?

Na terça-feira, Azeredo Lopes acompanhou o Presidente da República numa visita aos Paióis Nacionais de Tancos. No final, Marcelo Rebelo de Sousa disse aos jornalistas que tinha sido “muito útil e importante em termos informativos”. “É completamente diferente ter a noção distante e outra coisa é vir ao terreno.” O chefe de Estado aproveitou ainda para “saudar a investigação em curso, os passos dados” e exprimir o seu apoio, lembrando que, “desde a primeira hora, disse que era fundamental levar a investigação até ao fim”. Esta sexta-feira, o ministro da Defesa não poderá alegar desconhecimento sobre as investigações para evitar responder às perguntas dos deputados da comissão de Defesa.