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Azeredo Lopes não tinha informação sobre “situação grave ou que fosse urgente corrigir” na segurança em Tancos

Tiago Miranda

Ministro da Defesa defende que assumiu as suas responsabilidades políticas "sem hesitar", mas reitera que segurança do paiol de Tancos é “um domínio, ainda que operacional, da administração estrita" do exército

O Ministro da Defesa assegurou esta tarde, no Parlamento, que "não tinha em sua posse, como muitos pretendem fazer crer", qualquer "relatório, informação, pedido ou chamada de atenção que identificasse uma situação grave de insegurança" nos paióis de Tancos de onde foram roubadas armas e munições na semana passada.

A garantia foi deixada na intervenção inicial de Azeredo Lopes durante a sua audição na Comissão de Defesa Nacional, onde fez questão de deixar claro que "não tinha conhecimento de uma situação grave ou que fosse urgente corrigir" em matéria de segurança naquelas instalações militares.

Numa intervenção onde tentou desmontar "quatro equívocos principais" que "dificultaram" que o roubo de armas em Tancos fosse "discutido com serenidade", Azeredo Lopes sublinhou também que "a garantia de segurança dos paióis, onde se armazena armamento militar, é, por excelência", do "domínio operacional" e que, portanto, se encaixa nas áreas de "administração estrita dos ramos" das Forças Armadas.

O ministro da Defesa refutou ainda a tese de que tenha desvalorizado a gravidade do roubo de armas, recordando que logo no dia seguinte ao roubo, ou seja, a 29 de junho, disse aos jornalistas, ainda em Bruxelas, que "evidentemente é um facto grave". "Esta avaliação que exprimi pública e prontamente na primeira hora, não alterei ou adociquei", disse Azeredo Lopes aos deputados.

Sobre o "alegado impacto internacional na imagem de Portugal", o ministro da Defesa desvalorizou também as notícias saídas na imprensa espanhola, recordando que "antes da divulgação por um jornal espanhol" da lista de armamento roubada "essa divulgação já tinha sido feita, tal e qual, por um jornal diário nacional". E deixou ainda a garantia de que o Secretário Geral da NATO lhe transmitiu a informação de que "a reputação de Portugal permanece intacta".

"Isso quer dizer que ao contrário do empolamento e dramatização deliberados levados a cabo por questões políticas de simples ataque ao Governo, o descrédito que alguns gostam de invocar não é partilhado por aqueles que nos olham de fora", argumentou Azeredo Lopes.

Por fim, o ministro da Defesa diz que assumiu as suas responsabilidades políticas "sem hesitar" e garante que o Governo pretende que "seja averiguado tudo" e que se "corrija o que for necessário corrigir" de forma a "evitar que, no futuro, uma situação como esta volte a ocorrer".