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Sargentos marcam vigília de protesto frente à residência do primeiro-ministro

Associação Nacional de Sargentos entende que o primeiro-ministro é responsável pelo estado em que se encontram as Forças Armadas e vai fazê-lo dia 12 à porta da sua residência oficial, em Lisboa

Carlos Abreu

Jornalista

A Associação Nacional de Sargentos (ANS) vai manifestar-se na próxima quarta-feira, dia 12, frente à residência do primeiro-ministro, em Lisboa. A vigília, decidida na última reunião dos órgãos sociais da associação, em meados de junho, ainda antes da tragédia de Pedrógão e do furto de material militar em Tancos, tem como principal objetivo alertar o chefe do Governo para o estado em que se encontram as Forças Armadas.

“Quando há vários anos chegámos a falar da existência de uma ‘comissão liquidatária’ das Forças Armadas fomos duramente criticados, mas mantivemos o alerta com os sucessivos governos e, infelizmente, prova-se agora que tínhamos razões para estar preocupados”, disse ao Expresso o sargento-mor António Lima Coelho, diretor do jornal “O Sargento”, órgão oficial da ANS.

Para Lima Coelho, “nos últimos anos tem sido o descalabro”. “O Programa de reforma das Forças Armadas lançado por Aguiar-Branco, o ‘Defesa 2020’ previa 30 a 32 mil militares mas atualmente estamos abaixo dos 29 mil e as missões continuam a ser feitas. Como é que querem continuar a fazer omeletes sem ovos?”, questiona.

O antigo presidente da ANS entende que o primeiro-ministro é responsável pela atual situação das Forças Armadas e na vigília da próxima quarta-feira a associação liderada atualmente pelo sargento-ajudante Mário Ramos irá entregar a António Costa um documento sobre a falta generalizada de condições para o cumprimento das missões.

“Com a mudança de governo ficámos muito expectantes, mas dois anos depois quase nada se materializou. O ministro da Defesa não pode continuar a dizer que está há pouco tempo no cargo”, afirma Lima Coelho.

Para além do Governo, o antigo presidente da ANS critica ainda os “sucessivos chefes militares por aceitarem esta degradação. Tem de chegar o momento em que terão de dizer basta”.