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Política

Oficiais das Forças Armadas pedem a Marcelo “apoio sonante”

PAULO NOVAIS

Os militares estranham “cautela” do Presidente da República: “Estamos à espera que ele desta vez exerça fortemente o poder de influência que tem, para ver se a situação definitivamente se altera, a bem de todos”

Os militares têm uma mensagem clara para Marcelo: o Presidente deve fazer uso da sua influência para resolver a polémica que rodeia o roubo de material militar em Tancos. A afirmação é do presidente da Associação de Oficiais das Forças Armadas, o tenente coronel António Costa Mota, que nesta quarta-feira deixou avisos ao presidente da República em entrevista à SIC Notícias.

“Eu diria que, contrariamente àquele que é o seu estilo, [Marcelo] tem sido demasiadadamente cauteloso”, começou por afirmar António Costa Mota, sublinhando a pouca vontade de “fazer grandes críticas diretas”. Falando da “situação tão complicada” que as Forças Armadas atravessam na sequência do roubo em Tancos, o responsável admitiu que os militares tinham “a expectativa de poder ter um apoio mais sonante da parte de Marcelo Rebelo de Sousa”: “Estamos à espera que ele desta vez exerça fortemente o poder de influência que tem, para ver se a situação definitivamente se altera, a bem de todos”.

Nesta terça-feira, o Presidente visitou os paióis nacionais de Tancos, acompanhado pelo ministro da Defesa, Azeredo Lopes, e pelos chefes do Estado-Maior General das Forças Armadas, general Pina Monteiro, e do Exército, general Rovisco Duarte. Na visita de duas horas, que Marcelo considerou “muito útil”, o presidente falou da necessidade de “levar a investigação até ao fim”.

"Pensando no prestígio de Portugal, no prestígio das Forças Armadas, pensando na autoridade do Estado e na segurança das pessoas, é muito simples: tem de se apurar tudo, de alto a baixo, até ao fim, doa a quem doer", disse o presidente em Castanheira de Pera, pouco antes de partir para Tancos. “O que se exige neste caso é uma investigação total, integral”, não “deixando ninguém imune”, vincou Marcelo.

O furto tem provocado ondas de choque no Exército e no Governo, com vozes críticas a pedirem a demissão do ministro da Defesa. Na sequência do furto, cinco comandantes de unidades do ramo foram demitidos para não interferirem com os processos de averiguações.

O Ministério Público anunciou nesta terça-feira a abertura de um inquérito, estando em causa suspeitas da prática dos crimes de associação criminosa, tráfico de armas internacional e terrorismo internacional.