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O que há em comum entre Pedrógão e Tancos? Manuela Ferreira Leite responde

Além dos incêndios em Pedrógão e do roubo de armas em Tancos, a ex-líder do PSD comentou as recentes mudanças na área da Educação no seu espaço habitual de comentário na TVI24

Helena Bento

Jornalista

À primeira vista, o que aconteceu em Pedrógão parece não ter nada a ver com o roubo em Tancos, mas Manuela Ferreira Leite diz que há “vários pontos em comum” entre os dois incidentes, nomeadamente - e principalmente - no que diz respeito à atuação do Estado. “Há um certo tipo de atividade onde o Estado está e não devia estar e outro em que não está e devia estar. Pedrógão e Tancos enquadram-se neste último cenário, uma vez que o Estado não foi capaz de assegurar o cumprimento de duas funções que lhe são inalienáveis: a segurança e a defesa”.

Mas o que aconteceu em Tancos, considera a ex-líder do PSD, é “ainda mais grave” do que aconteceu em Pedrógão. Porquê? Porque no caso de Tancos “não há quaisquer fenómenos naturais que justifiquem o sucedido”. “O que aconteceu revela uma tremenda falha em termos de segurança”, disse.

Revela também, acrescentou Ferreira Leite, que há “um divórcio entre o Governo e a Administração Pública, “duas instituições que estão ao serviço do país”. “Ao vermos o que se passa, dá a sensação que está cada um está para seu lado, com a Admnistração Pública a ser desprezada, em vez de ser protegida”. Ferreira Leite, que falava no seu espaço habitual de comentário na TVI24, não vê como é que as coisas podem melhorar no futuro. “Os problemas vão continuar. Nenhum Governo consegue funcionar se não se apoiar numa máquina do Estado”.

Questionada sobre o impacto do sucedido em Tancos para a imagem internacional do país, a ex-líder do PSD não tem dúvidas de que ninguém ”sairá bem na fotografia”, embora se diga incapaz de “garantir com segurança” que a imagem do Estado fique totalmente denegrida, uma vez que não se trata de “um caso único e inédito”.

Se há semelhanças entre o que aconteceu em Tancos e o que aconteceu em Pedrógão, o mesmo não se poderá dizer dos dois últimos ministros que assumiram a pasta da Educação, Nuno Crato e Tiago Brandão Rodrigues. “O ministro anterior tinha uma política de exigência e qualidade. O ministro atual tem como política destruir essa ideia. A sua política é a do facilitismo”, criticou Ferreira Leite, quando questionada sobre as mudanças recentes na área da Educação. Para a ex-líder do PSD, Tiago Brandão Rodrigues tem como objetivo único “trabalhar para as estatísticas com uma visão que não vai além do curto prazo, isto é, do final do ano”.