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Marco António Costa admite candidatar-se a líder parlamentar

Tiago Miranda

Vice-presidente do PSD tem sido contactado por deputados para suceder a Luís Montenegro, que deixa a liderança parlamentar daqui a duas semanas. Por enquanto, Marco António está a ponderar

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Marco António Costa, vice-presidente do PSD, admite vir a candidatar-se à liderança da bancada social-democrata, apurou o Expresso junto de fontes parlamentares. No dia 19 há eleições para escolher o sucessor de Luís Montenegro, que nos últimos seis anos dirigiu o grupo parlamentar do PSD. Esta manhã, na reunião de bancada, Montenegro anunciou a marcação dessa eleição para daqui a duas semanas, contrariando a tradição de eleger o líder parlamentar apenas em setembro, depois das férias.

O Expresso sabe que Marco António Costa tem sido incentivado por outros deputados a candidatar-se à presidência da bancada, e tem dado sinais de que estará disponível para esse cargo. Não há ainda uma resposta definitiva, mas o atual "vice" de Passos está a ponderar essa hipótese, que lhe daria uma visibilidade acrescida dentro e fora do partido. Contactado pelo Expresso, o dirigente social-democrata recusou-se a comentar este assunto.

Marco António Costa, que já foi líder da poderosa distrital do Porto, vice-presidente da câmara de Gaia, secretário de Estado da Segurança Social e chegou a ser o porta-voz da direção do PSD quando Passos Coelho era primeiro-ministro, é atualmente o presidente da comissão parlamentar de Defesa. É um dos cinco vice-presidentes do PSD, a par de Maria Luís Albuquerque, Teresa Leal Coelho, Teresa Morais e Sofia Galvão.

Em outubro, quando Jorge Moreira da Silva deixou as funções de primeiro vice-presidente do PSD, para ocupar um alto cargo na OCDE, chegou a ser noticiado que Marco António ficaria com o estatuto de primeiro "vice" - mas tal nunca chegou a acontecer, por decisão de Passos Coelho. Agora, volta a ser Passos quem tem a decisão final.

Outros nomes na calha

Com a saída de Montenegro, outros nomes surgem na pole position para o lugar de líder parlamentar - entre eles, o de outro vice-presidente do PSD, a ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque. Luís Marques Guedes, que já chefiou a bancada parlamentar e nas últimas três décadas ocupou praticamente todos os cargos possíveis, é outro dos nomes que circulam entre os deputados, caso Passos Coelho queira optar por um perfil mais senatorial.

Na atual equipa de vice-presidentes da bancada, caso Passos decida puxar pela geração mais nova, os mais bem colocados são Hugo Soares, ex-líder da JSD, e António Leitão Amaro, que chegou a secretário de Estado no Governo da coligação.

Montenegro justifica antecipação

"A razão para a escolha desta data, que é única e exclusivamente da minha responsabilidade, é entender que a próxima direção do grupo parlamentar tem que ter um tempo para projetar o ano parlamentar seguinte, os trabalhos parlamentares, após o início dos trabalhos depois do verão", justificou Luís Montenegro no final da reunião da bancada, esta quinta-feira.

"Não há nenhuma antecipação, o mandato desta direção termina com o final desta sessão legislativa, bem sei que ainda há uns dias programados em setembro, mas toda a gente sabe que a transposição das sessões se faz entre julho e setembro", disse aos jornalistas, citado pela agência Lusa. Montenegro, que já não se poderá recandidatar novamente depois de seis anos e três mandatos sucessivos, salientou ainda que este é um ano de "eleições autárquicas, que contam com a participação de muitos deputados".