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Grupo de militantes do PSD vai propor primárias em março de 2018

Rui Nunes sustenta que só teme o escrutínio aberto a simpatizantes quem está nas lideranças partidárias

Foto Lucília Monteiro

Rui Nunes, líder do “Fórum Democracia e Sociedade”, e um grupo de militantes laranjas vão apresentar após as autárquicas proposta para a realização de primárias no próximo congresso do PSD. Líder da plataforma cívica próxima de Rui Rio, que admite ser alternativa a Passos Coelho, afirma que sem eleições primárias o futuro líder do PSD sairá fragilizado

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

O tema de eleições primárias como sistema de escolha do futuro líder do PSD voltou esta quinta-feira à agenda, em Lisboa, em mais um sessão da plataforma afeta a Rui Rio, “Fórum Democracia e Sociedade”, criada em 2013. No debate que reuniu num hotel militantes de base e simpatizantes da família social-democrata, Rui Nunes voltou a defender o fim das eleições diretas, a única via de revigorar o PSD, “um partido fechado, virado para si próprio e que precisa de se abrir para dar o salto”.

O professor catedrático da Faculdade de Medicina do Porto, militante laranja há 20, diz que o PSD precisa urgentemente de rever os seus estatutos de forma a que escolha do próximo presidente do partido passe pelo crivo de eleições primárias, seguindo as pisadas do PS “que ousou arriscar e dar a volta por cima”.

Rui Nunes recusa que a mudança de sistema seja um expediente oportunista para afastar Pedro Passos Coelho e abrir as portas à sucessão do ex-presidente da Câmara do Porto, que tem vindo a posicionar-se como alternativa à liderança do PSD no último ano.

“Por uma questão de princípio e ainda por uma razão estrutural, faz todo o sentido que o maior partido da oposição se reforme e renove através da abertura à sociedade, cada vez mais afastada da participação ativa devido à desconfiança em relação aos aparelhos partidários”, preconiza o presidente da Associação Portuguesa de Bioética.

O fundador do Fórum Democracia e Sociedade - Uma Agenda para Portugal - salienta que sabe do que fala, dado conviver com uma população universitária de jovens de 20 anos, seus alunos e não só, que na esmagadora maioria “olha com enorme descrédito a classe política. Para Rui Nunes, sem eleições primárias, o futuro líder do PSD sairá “fragilizado, inevitabilidade que será acautelada por um sistema de maior representatividade e legitimidade, através do voto dos simpatizantes do partido e não em circuito fechado dos militantes”.

“Só os lideres temem o escrutínio”

A proposta de substituição de diretas por primárias, tema central do almoço-debate de hoje, já está a ser gizada, tendo Rui Nunes afirmado ao Expresso que a mesma será apresentada à Direção Nacional após as autárquicas, para não perturbar as candidaturas às eleições de outubro. A ideia defendida pelo líder da plataforma que contou nos últimos anos com participações de Pacheco Pereira, Rui Rio, Paulo Rangel, Macário Correia, ou Manuela Ferreira Leite, é a de dar tempo a que se proceda à revisão dos estatutos internos do partido de forma a permitir as primárias no Congresso de fevereiro ou março de 2018.

Rui Nunes lembra que as primárias são um sinal dos tempos, dando como exemplo as eleições que permitiram a vitória de Emmanuel Macron em França, recordando que Santana Lopes é um dos militantes de referência favorável a que o futuro secretário-geral laranja seja eleito por esse método. “Só tem receio de se submeter ao escrutínio popular quem está na liderança do partido”, frisa Rui Nunes, que refere que Rui Rio “é sensível e vê com bons olhos a mudança”.

Refira-se que o movimento liderado por Rui Nunes já se bateu por primárias antes das legislativas 2015 e do último congresso que elegeu por 95% dos votos Passos Coelho em eleições diretas.

Marco António Costa, um dos vice-presidentes da Comissão Política, escusou-se a comentar um assunto que “não está na agenda do PSD”. Em 2012, os militantes chumbaram em congresso eleições diretas para os candidatos autárquicos, mas Rui Nunes afiança que as primárias “são só uma questão de tempo”.