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Costa já acha “relevante apresentar” respostas à tragédia de Pedrogão

PEDRO SARMENTO COSTA / Lusa

Primeiro-ministro enviou ao Parlamento as 21 respostas às perguntas colocadas pelo CDS sobre o que correu mal no incêndio de Pedrógão. No site oficial do Parlamento, António Costa reafirma “manter a confiança política” na ministra da Administração Interna e divulga as primeiras conclusões que o Governo tirou: a EN 236-1 só foi fechada depois de conhecidas as mortes e o comando das operações só foi feito a nível nacional entre as 22 horas de sábado, dia 17 de junho, e as 21 horas de domingo

O Presidente da República tinha pedido “respostas rápidas e exaustivas” aos acontecimentos de Pedrógão Grande. António Costa prometeu tudo esclarecer, mas remeteu para a comissão técnica independente e para o Ministério Público o “cabal esclarecimento” de um incêndio que causou a morte de 64 pessoas. Ontem, o Gabinete do primeiro-ministro enviou para a Assembleia da República um conjunto de respostas às questões colocadas pelo CDS. E o Parlamento divulgou as 25 páginas do documento no seu site oficial.

“Considera-se ser relevante apresentar, desde já, uma resposta”, diz a chefe de Gabinete de São Bento, “pese embora o facto de algumas questões requererem ainda averiguação e recolha de dados adicional”. Com a pressão política a aumentar, o primeiro-ministro optou por não esgotar o prazo de resposta (obrigatória) ao Parlamento, que seria de 30 dias, a contar do dia 23 de junho.

São Bento faz questão de esclarecer que o primeiro-ministro soube do incêndio “às 22h03 de dia 17 de junho”, através de um SMS do secretário de Estado da Administração Interna, ou seja, mais de sete horas depois do início do fogo. Duas horas depois, e vindo diretamente de Portalegre, António Costa chegou ao Comando Nacional de Operações de Socorro para fazer o ponto da situação do incêndio. No final da resposta ao Parlamento, o primeiro-ministro faz questão de reafirmar que mantém “a confiança política na senhora ministra da Administração Interna”.

Das várias questões levantadas pela bancada do CDS, logo a segunda diz respeito à responsabilidade do comando das operações durante os cinco dias que durou o incêndio. O primeiro responsável foi um bombeiro de Pedrógão Grande, mas seis minutos depois já era o comandante da corporação a tomar as rédeas do comando. Nas cinco horas seguintes, a gestão de todo o combate ao fogo esteve na mão dos bombeiros locais. Só às 19h55, já tinham passado quase sete horas do primeiro alarme enviado ao 112, foi chamado o comando distrital de Leiria para o topo da hierarquia de comando. Às 22h00, chega a vez de a direcção ser assumida a nível nacional. Curiosamente, foi o segundo comandante nacional a exercer funções, o tenente coronel Albino Tavares. Permaneceu durante 23 horas seguidas no posto principal e, no dia 18 às 20h50, o comando das operações de combate ao fogo deixavam, novamente, de terem um comando nacional. Até ao fim, as operações foram conduzidas sempre a nível distrital, oscilando entre quatro comandantes diferentes.

Já quanto ao encerramento da estrada nacional 236-1, onde morreram 47 pessoas, os deputados centristas quiseram saber se foi, ou não, dada ordem de fechar aquela via durante o incêndio. O Gabinete do primeiro-ministro cita informações da GNR, segundo as quais não foi emitida qualquer indicação sobre a necessidade de encerrar a estrada, por não ter sido “recebida qualquer informação que alertasse para uma situação de risco, potencial ou efetivo, em circular pela via em causa”. Na verdade, a decisão de fechar a EN 236-1 só seria tomada depois de terem sido encontrados os primeiro cadáveres, que agora se confirma ter sido “por volta das 22h15 do dia 17 de junho”. Ou seja, minutos depois de o primeiro-ministro ter conhecimento de que um fogo tinha deflagrado.