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Porto: ex-líder da Assembleia Municipal bate com a porta no PSD para se juntar a Moreira

ESTELA SILVA / Lusa

Luís Artur Ribeiro escreveu a Pedro Passos Coelho a pedir a desfiliação do partido de que era militante há 41 anos por 'não se dar bem com jogos de interesses'. É o terceiro abandono do PSD de militantes da Distrital do Porto para apoiar a recandidatura de Rui Moreira

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Em menos de duas semanas, o PSD do Porto registou o abandono do partido de três militantes de longa data. Depois do histórico social-democrata Luís Valente de Oliveira ter entregue o cartão para aceitar, sem represálias partidárias, o convite para mandatário da recandidatura de Rui Moreira, esta terça-feira foi a vez de Luís Artur Ribeiro pedir a desvinculação do partido em que militava há 41 anos para apoiar a corrida autárquica independente do atual 'Porto, O Nosso Partido'.

Pelo meio, na passada semana, também Nuno Lemos, presidente da empresa Municipal Porto Lazer e que agora integra a lista de Rui Moreira em lugar elegível, optou por entregar o cartão do seu partido de sempre, não só para evitar “a expulsão de militante como aconteceu há quatro anos a dezenas de militantes do PSD”, mas por discordar “inteiramente da estratégia política de Pedro Passos Coelho a nivel nacional, regional e para a cidade do Porto”.

Luís Artur Ribeiro, que há um mês deixou de livre iniciativa a liderança do grupo parlamentar do PSD na Assembleia Municipal do Porto em protesto contra “a radicalização política do PSD/Porto e do candidato do partido à Câmara”, em carta endereçada a Pedro Passos Coelho, ontem, também decidiu entregar o cartão nº 5276, por “um imperativo de consciência”.

Na carta ao líder nacional do PSD, tornada hoje pública pelo próprio, Luís Artur, representante da Câmara do Porto no Conselho Fiscal do Coliseu do Porto, refere que a “decisão difícil” resulta de uma profunda reflexão e ponderação, confessando tratar-se de um abandono doloroso face à militância desde os tempos da JSD.

O ex-líder da AM do Porto escreve que não sai contra a liderança de Passos Coelho, por quem confessa um enorme respeito: “Tu enquanto Primeiro Ministro salvaste Portugal, ganhaste as eleições e foste arredado da governação de Portugal por 'um golpe de estado', numa altura em que cumprias a parte que faltava do 'mandato'.”, escreve.

O líder da bancada do PSD na Assembleia Municipal nos últimos três anos e meio adverte que se atreve a dizer que foi o rosto da oposição no Porto, “mas nunca oposição ao Porto”, conforme, diz, ser a estratégia da concelhia local. ”O PSD do Porto, nos últimos tempos radicalizou o discurso, tem um candidato à presidência da Câmara que não tem afinidades com o PSD, que não tem uma ideia de cidade e que a única coisa que sabe fazer é dizer mal de tudo, acentuando a via radical da candidatura”, adverte Luís Artur Ribeiro.

Tal como Nuno Lemos, o militante com 41 anos de cartão também sublinha que “este já não é” o partido ao qual aderiu. “As causas e os princípios vão dando lugar a jogos de interesses com os quais confesso não me dou bem. O PSD precisa repensar com urgência a sua organização interna”, anotou ainda Luís Artur, que pede desculpa a Passos Coelho por não ter o seu conselho, dado a 10 de junho, para não se expôr.

“Em primeiro lugar para mim está o Porto e em consciência sinto que devo apoiar a minha cidade”, escreveu, razão pela qual decidiu apoiar Rui Moreira por acreditar na sua visão estratégia e de futuro para o Porto. Luís Artur Ribeiro despede-se prometendo continuar a ser um social-democrata e seguir o legado de Francisco Sá Carneiro.

Nuno Lemos, que recebeu no passado dia 29 de julho o aviso da receção da carta enviada à Comissão Política do PSD, afirmou ao Expresso que, apesar de ter votado contra o perfil de Luís Filipe Menezes para candidato ao Porto em 2013, se manteve militante ativo do PSD, tendo só agora decidido desvincular-se, não só por apoiar Rui Moreira e se sentir honrado com o convite para as listas independentes, mas para se precaver de “ser expulso”, algo que entende não dignificar o partido, como aconteceu há quatro anos com militantes que discordaram da escolha de Menezes.

Embora refira não ter dados concretos, Nuno Lemos afirma ter um sentimento que a debandada de militantes do PSD do Porto irá engrossar, face “à discórdia em relação ao discurso quer do partido, como do candidato do PSD” à Câmara do Porto.

A elaboração das listas do PSD para os órgão autárquicos no Porto levou, ontem, ao afastamento do núcleo laranja do Centro Histórico do Porto. O líder do núcleo, José Augusto Teixeira, retirou-se do processo autárquico por discordar dos critérios para a elaboração das listas para a Assembleia Municipal. Miguel Seabra, presidente da Concelhia do PSD/Porto, afirma que na origem da discórdia está a reivindicação por lugares cimeiros na lista, “incompatíveis com o trabalho realizado pelo núcleo ao longo do actual mandato”.

Miguel Seabra escusa-se a comentar as críticas à estratégia do PSD local, lembrando que tanto Nuno Lemos como Artur Pereira há muito que se revelaram próximos de Rui Moreira ao “aceitarem lugares de designação”. “Rui Moreira sabe bem como comprar apoios de pessoas vulneráveis ao poder”, conclui Seabra.