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Azeredo deu 60 dias à Inspeção-Geral da Defesa para avaliar condições de segurança

TIAGO PETINGA / LUSA

Inspeção extraordinária terá de determinar em que condições de segurança são armazenados os materiais de guerra

O ministro da Defesa deu 60 dias para a Inspeção-Geral da Defesa Nacional avaliar os "procedimentos e condições de segurança" em vigor no armazenamento e equipamento militar das Forças Armadas, prevê um despacho assinado domingo.

De acordo com o documento, enviado esta terça-feira à agência Lusa, a Inspeção-Geral da Defesa Nacional deve apresentar o relatório "no prazo máximo de 60 dias".

No despacho, o ministro Azeredo Lopes determina a inspeção extraordinária, considerando que ao longo de vários anos as Forças Armadas têm concentrado as instalações destinadas à armazenagem e manutenção dos materiais de guerra.

E, em segundo lugar, fundamenta a decisão "considerando que os ramos tem concebido" diversos "sistemas de vigilância e ações" para garantir a eficácia da segurança física das instalações e assegurar "uma maior racionalidade dos recursos adstritos" a essa função.

Em terceiro lugar, justifica a avaliação "considerando ainda o grave incidente de quebra de segurança, com o furto de material de guerra à responsabilidade do Exército".

O ministro da Defesa determinou também, no mesmo dia, um prazo de 30 dias para que os chefes dos ramos militares apresentem um relatório "sobre as atuais condições de segurança das instalações militares sob sua responsabilidade, destinadas ao armazenamento de material de guerra, munições e explosivos".

No mesmo despacho, Azeredo Lopes estabeleceu uma orientação para que os chefes dos ramos militares devem "desde já", "dar prioridade às áreas relacionadas com a segurança do material de guerra, nomeadamente armamento e munições".

O Exército anunciou na quinta-feira que foi detetada ao final do dia anterior a violação dos perímetros de segurança dos Paióis Nacionais de Tancos e o arrombamento de dois paiolins, tendo desaparecido granadas de mão ofensivas e munições de calibre nove milímetros.

Na sexta-feira passada, o Exército acrescentou que entre o material de guerra roubado na quarta-feira dos Paióis Nacionais de Tancos estão "granadas foguete anticarro", granadas de gás lacrimogéneo e explosivos, mas não divulgou quantidades.

Na sequência do furto, o chefe do Estado-Maior do Exército, Rovisco Duarte, demitiu cinco comandantes de unidades do ramo para não interferirem com os processos de averiguações sobre o furto de material de guerra em Tancos.

O Ministério Público anunciou esta terça-feira que foi aberto um inquérito, estando em causa suspeitas da prática dos crimes de associação criminosa, tráfico de armas internacional e terrorismo internacional.