Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Garcia Leandro sobre Tancos: “Isto nunca poderia ter acontecido”

Garcia Leandro é direto e incisivo a comentar o roubo de material de guerra em Tancos: “Isto nunca podia ter acontecido". Exército já exonerou cinco comandantes na sequência do roubo

A pressão sobre o ministro da Defesa, Azeredo Lopes, continua a crescer. O assalto aos Paióis Nacionais de Tancos ainda não fez vítimas politicas, mas no Exército já foram exonerados cinco comandantes, segundo disse à RTP Rovisco Duarte, chefe do Estado-Maior. As críticas sobem de tom e surgem de todo o lado. Para o general Garcia Leandro o que aconteceu devia ter sido antecipado e por isso para o ex-vice-chefe do Estado-Maior do Exército há vários níveis de responsabilidade. "Tem que se imaginar quais os piores cenários e tomar medidas em conformidade. Ainda por cima quando já se tinha conhecimento das fragilidades de segurança", sublinhou ao Expresso.
Tanto mais que estão em causa materiais como "granadas foguete anticarro", granadas de gás lacrimogéneo e explosivos", como revelou esta sexta-feira o Exército sem divulgar, no entanto, as quantidades. "Para além das granadas de mão ofensivas e das munições de 9 mm, foram também detetadas as faltas de granadas foguete anticarro, granadas de gás lacrimogéneo, explosivos e material diverso de sapadores, como bobines de arame, disparadores e iniciadores", indicou o Exército.

Marcelo (ainda) em silêncio

O Presidente da República (PR), Marcelo Rebelo de Sousa continua a escusar-se a comentar este furto descoberto na quarta-feira, considerando que este "não é o momento ainda" para se pronunciar sobre o tema. "Eu já disse que no momento em que entendesse adequado, falaria. Não é este o momento adequado por duas razões: primeiro porque estou fora do território português, e não comento fora do território português realidades da vida política portuguesa; em segundo lugar, porque não é o momento ainda para, com base nas informações que vou recebendo, me pronunciar sobre a matéria", disse, em Bruxelas.
Perante a insistência dos jornalistas para que abordasse o assunto, enquanto comandante supremo das Forças Armadas, declarou que "há momentos e momentos para o Presidente da República falar dos temas, e quem escolhe os momentos é o Presidente da República".

PCP e BE também querem ministro no Parlamento

Entretanto, o BE confirmou hoje que irá viabilizar a audição do ministro da Defesa no parlamento, já pedida pelo PSD e CDS-PP, para esclarecer o roubo de material de guerra das instalações de Tancos. O PCP também já se manifestou a favor da audição do ministro e do Chefe do Estado-Maior do Exército. "O PCP considera sim que o Ministro da Defesa deve vir à Assembleia da Republica, prestar os esclarecimentos que tiver e deve procurar obtê-los o mais rapidamente possivel", avançou o comunista António Filipe.
Em declarações aos jornalistas à margem da Mesa Nacional do BE, o deputado bloquista João Vasconcelos recordou que o partido já apresentou na sexta-feira um requerimento para solicitar esclarecimentos ao Governo. "Nós consideramos que a situação é bastante grave, por isso solicitámos esclarecimentos ao Governo para apurar todas as responsabilidades, que medidas o Governo irá tomar e para saber se o sistema de vigilância se encontrava efetivamente avariado", afirmou.
Questionado se, além da responsabilidade política já assumida pelo ministro da Defesa Azeredo Lopes, o BE defende, para já, mais consequências políticas, o deputado salientou que estão a decorrer inquéritos, nomeadamente da Polícia Judiciária Militar, e remeteu mais perguntas para a audição parlamentar.
"Vamos aguardar tranquilamente a vinda do senhor ministro e aí colocaremos todas as questões, como penso que todas as outras forças políticas irão colocar", disse.
Os requerimentos para a audição de Azeredo Lopes - e no caso do PSD também do Chefe do Estado-Maior do Exército - deverão ser votados na Comissão de Defesa na próxima terça-feira.