Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Jerónimo de Sousa diz que nunca devia ter havido uma PPP para o SIRESP

NUNO FOX / LUSA

O secretário-geral do PCP defende que a empresa responsável pelo Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal deverá passar para a esfera pública

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, defendeu na quarta-feira à noite, no Montijo, que a Parceria Público-privada (PPP) do SIRESP nunca deveria ter acontecido e que deveria haver um controlo público desta área das comunicações.

"Em última análise, quando as coisas correm mal, a responsabilidade é sempre dos governos e, por isso mesmo, pensamos que [o controlo público] era uma boa medida", disse Jerónimo de Sousa.

O líder do PCP falava durante uma visita às Festas de São Pedro, no Montijo, no distrito de Setúbal, ao ser confrontado com a possibilidade, defendida pelo BE, de haver uma janela de oportunidade para acabar com aquela PPP e passar o SIRESP - Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal para a esfera pública.

"No país, cada vez mais se coloca esta necessidade de uma rutura com a política que tem sido seguida, de abandono da floresta e da produção, de desertificação e despovoamento de partes significativas do nosso país, desta política de eucaliptização, em que o que move os grupos económicos não é a floresta nem o ordenamento do território, mas os lucros", acrescentou Jerónimo de Sousa.

Confrontado com a intenção do Governo de aproveitar o atual momento para avançar com o ordenamento da floresta na zona de Pedrógão, no distrito de Leiria, Jerónimo de Sousa disse que isso poderia ser feito mesmo com a legislação que está em vigor e que o problema é haver dinheiro para concretizar os projetos.

"Mais do que intenções, declarações e, às vezes, até leis, o que era preciso era o investimento concreto, o dinheiro. Toda a gente estará de acordo com 500 equipas de sapadores, a lei prevê isso, mas a grande questão é no plano orçamental", disse Jerónimo de Sousa, defendendo a necessidade de uma política de investimento que exige verbas disponíveis para problemas que já estão identificados.

"Sim ou não, vamos, ainda no OE [Orçamento do Estado] de 2017 e no OE 2018, responder com as verbas necessárias, com a questão do cadastro [das zonas florestais] que está colocada, com a questão dos guardas florestais, com a questão do reforço da prevenção - não só do combate, mas também da prevenção, como é que isso se faz? Faz-se com dinheiro, obviamente, com verbas inscritas no OE, não apenas com declarações", disse.

Durante a visita às Festas de São Pedro, em que se fez acompanhar pelo cabeça-de-lista da CDU às eleições autárquicas para a Câmara do Montijo, Carlos Almeida, o líder comunista afirmou-se ainda esperançado na reconquista daquele município ao PS, até porque nas autárquicas de 2013 a CDU ficou apenas a 426 votos dos socialistas.