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Ferreira Leite critica partidos: “Estão a querer tirar dividendos políticos de uma tragédia”

A antiga líder do PSD criticou a discussão sobre os incêndios no Parlamento. Manuela Ferreira Leite defendeu que é preciso consenso entre os partidos e o debate não transmitiu “confiança numa solução”

Manuela Ferreira Leite acusou esta quinta-feira os partidos de estarem a querer tirar “dividendos políticos” do incêndio em Pedrógão, que causou 64 mortos e mais de 200 feridos.

“Aquilo que mais me impressionou foi nível de decibéis utilizado na Assembleia da República. Um nível de decibéis que é inusitado para esta situação. Estão a querer tirar dividendos políticos de uma tragédia”, declarou a antiga líder dos sociais-democratas no seu habitual espaço de comentário na TVI24.

Segundo Ferreira Leite, a discussão parlamentar foi feita na base do “insulto” e do “passar culpas”, sem qualquer perspetiva de acordo quanto a uma solução para evitar situações semelhantes no futuro. “Duvido muito que isto não seja mesmo a pior forma de tratar o assunto (...) Não se dá confiança aos portugueses que vai haver resultado. Não há consenso, é evidente que ninguém chega a acordo [sobre a reforma da floresta]”, acrescentou.

A antiga ministra das Finanças criticou ainda a agenda da dicussão parlamentar, depois de os partidos terem manifestado a intenção de ouvir 46 entidades até 19 de julho sobre a reforma da floresta. “É absurdo que a proposta de lei chegue à Assembleia da República com a necessidade de ouvir 46 entidades. Têm que ser ouvidas e analisadas. É preciso refletir e introduzir alterações. Se acontecer totalmente em 15 dias é teatro. Não é possível fazer-se isso em 15 dias”, insistiu.

Sobre as alegadas falhas do SIRESP, Ferreira Leite sublinhou que é fundamental perceber o que não funcionou durante o combate ao incêndio em Pedrógão. Por último, defendeu que é importante verificar no futuro se os fundos destinados às vítimas foram bem aplicados. “Tem-se a obrigação de daqui a uns tempos ir lá ver o que aconteceu a estas pessoas, se continuam lá, o que aconteceu aos fundos angariados para ajudar”, concluiu.