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Passos pede desculpa por ter falado em suicídios sem confirmar essa informação

JOSÉ COELHO/LUSA

Líder do PSD lamenta ter avançado com uma informação não confirmada sobre suicídios na sequência do incêndio em Pedrógão Grande. Mas insiste que há “responsabilidade objetiva” do Estado na tragédia

Passos Coelho pediu esta tarde desculpa por ter falado em suicídios por falta de apoio psicológico em Pedrógão Grande, na sequência do incêndio que causou há uma semana 64 mortos e mais de 200 feridos.

“Sinceramente peço desculpa por ter usado um dado não confirmado. Não devia ter utilizado essa informação”, afirmou o líder do PSD, em declarações à TVI24, à entrada do Centro de Exposições de Odivelas, onde será apresentada a candidatura de Fernando Seara à autarquia.

Recusando que tenha usado tal declaração como arma de arremesso político, Passos insistiu que há uma “responsabilidade objetiva“ do Estado na tragédia, uma vez que “devia ter protegido a vida das pessoas” e que lhe resta agora ajudar as vítimas e famílias.

“Não pode haver uma espécie de branqueamento político sobre situações que vão acontecendo. (...) Uma coisa é assumir responsabilidades, outra coisa é fechar os olhos e fazer de conta que as coisas não acontecem”, acrescentou.

Ainda que reconheça a importância das instituições da sociedade civil na prestação de auxílio às vítimas do incêndio, o líder social-democrata sublinhou que é importante que o “Estado não se demita desta função.”

“Temos hoje a confirmação clara de que o Estado falhou quando tantas pessoas perderam a vida como perderam, era muito importante que houvesse um mecanismo rápido de reparação”, sustentou.

Esta manhã, durante uma visita ao quartel dos bombeiros de Castanheira de Pera, Passos disse que tinha conhecimento de casos de suicídio em Pedrógão Grande “por não terem recebido a tempo o apoio psicológico que lhes devia ter sido prestado”. “Tenho conhecimento de vítimas indiretas deste processo, de pessoas que puseram termo à vida, que em desespero se suicidaram”, declarou.

Entretanto, o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Pedrógão Grande e candidato do PSD à autarquia local, João Marques, assumiu a responsabilidade no caso, afirmando que deu a informação errada a Passos. “Fui induzido em erro e induzi em erro o dr. Passos Coelho. Houve, efetivamente, duas ou três tentativas de suicídio, e manifestações suicidárias de mais algumas pessoas, que dizem que têm essa intenção. Mas, suicídios mesmo, isso é boato.”