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Passos falou de suicídios em Pedrógão sem confirmar essa informação

PAULO NOVAIS/LUSA

Entidades da Saúde, autarcas e bombeiros desmentem ou desconhecem os casos referidos pelo líder do PSD, de "pessoas que puseram termo à vida em desespero" depois dos incêndios. Passos ouviu falar disso durante a visita aos locais da tragédia, mas não confirmou informação antes de a tornar pública

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

O Ministério da Saúde desmente, a Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro desmente, os autarcas e os bombeiros ouviram esses "boatos", mas não têm qualquer confirmação de que tenham acontecido suicídios na sequência da tragédia de Pedrogão Grande e concelhos vizinhos. Esses casos, no plural, foram denunciados por Pedro Passos Coelho, no final de uma visita, esta segunda-feira de manhã, aos locais afetados. "Tenho conhecimento de vítimas indiretas deste processo, de pessoas que puseram termo à vida, em desespero", disse Passos aos jornalistas, vendo nesse facto a prova de que "o Estado falhou e continua a falhar", porque essas pessoas "não receberam a tempo o apoio psicológico que lhes devia ter sido prestado".

Mas não existe qualquer confirmação de que tenham acontecido de facto esses suicídios. Pelo contrário, há o desmentido formal da ARS do Centro. Ao Expresso, uma fonte social-democrata confirmou que, durante a deslocação desta manhã, "várias pessoas, em vários locais" referiram que teriam acontecido suicídios relacionados com a catástrofe dos últimos dias. "Ele não invetou suicídios, falou naquilo que as pessoas lhe contaram", diz a mesma fonte. Mas reconhece que nem o líder do PSD nem o seu staff cuidaram de confirmar essa informação antes de a tornar pública.

Mais: um deputado do PSD que acompanhou a visita, não escondeu o seu embaraço enquanto Passos falava do caso dos suicídios. "Eu não tenho essa confirmação", disse Maurício Marques, líder da distrital de Coimbra, enquanto o líder do PSD falava com os jornalistas. Mas Passos reafirmou que foi essa a informação que recolheu junto "das pessoas" e houve pelo menos um jornalista presente que confirmou que também tinha a mesma informação.

O jornal online Observador falou entretanto com quase todas as entidades que poderiam confirmar os eventuais suicídios - autarcas dos concelhos atingidos, bombeiros e até o padre que tem percorrido as aldeias atingidas. Ninguém confirma o que terá sido relatado a Pedro Pessos Coelho.

"Há, sim, é boatos, os mais diversos boatos. Peço às pessoas que não aceitem, corram com os boateiros, porque graças a Deus não há nenhuma confirmação de suicídios”, disse ao Observador o presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Valdemar Alves.