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Política

Parlamento ainda não sabe como vai investigar os fogos

Passos Coelho e António Costa juntos na defesa de uma investigação aos fogos a partir do Parlamento. Os parceiros da geringonça acham “inútil” a ideia do "Bloco Central"

PAULO CUNHA / Lusa

António Costa entregou ao Parlamento a investigação aos fogos de Pedrógão mas os deputados só na quarta-feira vão definir um modelo de trabalho. Comissão de inquérito independente só arranca, na melhor das hipóteses, 15 dias depois da tragédia.

O Parlamento ainda não definiu o método de trabalho que vai ser seguido para investigar as causas da tragédia do passado fim de semana na zona Centro do país. Uma semana depois, sabe-se que o Governo entregou ao Parlamento a tarefa de pôr a andar uma comissão de inquérito independente. Mas ainda não se sabe quem a irá integrar, quem irá presidir, e que método de trabalho será seguido. Na melhor das hipóteses, talvez os trabalhos avancem 15 dias depois de tudo ter acontecido.

O PSD, que deu o pontapé de saída para esta investigação, levará o assunto à próxima conferência de líderes parlamentares, marcada para a quarta-feira. E só depois disso, a confirmar-se um acordo maioritário capaz de fazer aprovar este tipo de inquérito (PSD e PS estão nisto alinhados), é que os trabalhos poderão começar. Ou seja, nunca antes de duas semanas após os fogos que mataram 64 pessoas e fizeram duas centenas de feridos.

Os dois parceiros de António Costa na geringonça já se demarcaram desta metodologia. Francisco Louçã, do BE, escreveu no "Público" de sábado que uma comissão ao nível parlamentar é "vagamente inútil", e Jerónimo de Sousa, do PCP, avisou também este sábado: "Não venham pedir-me mais comissões, quem sabe independentes da Assembleia da República mas dependentes de interesses em presença, e que não vão descobrir a pólvora".

Luís Montenegro, líder do grupo parlamentar do PSD, definiu como timing razoável para se tirar conclusões um período entre 30 e 60 dias. E não vai levar à conferência de líderes parlamentares um modelo de trabalho fechado para ainda tentar um consenso o mais alargado possível. Montenegro já foi, no entanto, avançando que a ideia do PSD é chamar técnicos e especialistas que não estejam ligados a entidades públicas envolvidas nas operações, para garantir a independência da investigação.

Marcelo Rebelo de Sousa, que pediu ao Parlamento celeridade na aprovação de um novo pacote legislativo sobre a gestão da floresta e a prevenção dos incêndios (o Presidente quer ter novas leis para promulgar antes de ir de férias), também exigiu uma investigação "sem limites nem medos" ao que se passou em Pedrógão, por forma a apurar resultados "em tempo útil".

Não é líquido que o modelo escolhido pelo Governo consiga dar a resposta exigida pelo Chefe de Estado.