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Política

Nuno Garoupa diz que “comissão técnica deve ter peritos estrangeiros”

José Carlos Carvalho

“Não percebo a Assembleia da República a nomear quem vai avaliar a Assembleia da República”, diz o ex-presidente da Fundação Manuel dos Santos. “Os partidos já pensam na contagem de câmaras a 1 de outubro”. “Estou pessimista”, conclui

A comissão técnica independente que o Parlamento vai criar para apurar responsabilidades nos fogos do passado fim de semana deverá, na opinião de Nuno Garoupa, integrar técnicos estrangeiros.

No programa "Conversas Cruzadas", da Rádio Renascença, o ex-presidente da Fundação Manuel dos Santos explicou porquê: "Há aqui, obviamente, um insanável conflito de interesses se essa eventual comissão técnica independente não envolver peritos exteriores ao Estado. Mas em Portugal os especialistas exteriores ao Estado são peritos do sector privado, que têm interesses económicos diretos em sectores como a floresta e, portanto, cria-se um outro conflito de interesses”.

"Se o apuramento de responsabilidades é relativo ao comportamento do Estado, não entendo muito bem como é que quem vai fazer esse apuramento são funcionários do Estado”, reafirma Garoupa, que embora reconheça mérito e competência a estes funcionários antecipa-lhes um problema.

“Vão ter de voltar a trabalhar no Estado, nas diferentes instituições que eles próprios vão agora avaliar”, explica o professor da Universidade do Texas e um dos mais reputados investigadores mundiais sobre a influência da área da justiça na economia.