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Marques Mendes: “a prazo, vai ser inevitável” demissão da ministra

“É quase impossível o Ministério Público não formular uma acusação de homicídio por negligência”, afirmou Marques Mendes na SIC, a propósito da tragédia em Pedrógão. Em sua opinião, o Governo “levou uma pantufada no estado de graça”. E uma investigação a partir do Parlamento “é um absurdo” que revela “medo”

Luís Marques Mendes acha "impossível não haver consequências políticas" para o Governo dos fogos do passado fim de semana na zona Centro do país. O comentador defendeu, este domingo, no seu comentário semanal na SIC, que a demissão da ministra da Administração Interna "a prazo vai ser inevitável", porque "é quase impossível o Ministério Público não formular uma acusação de homicídio por negligência".

Politicamente, o comentador considera que o Governo "levou uma pantufada no seu estado de graça" e que "a relação do país com o Governo vai a partir de agora ser diferente e o escrutínio muito mais forte". "O próprio primeiro-ministro não parecia o mesmo esta semana", rematou.

Muito crítico da investigação que o Governo decidiu avançar a partir do Parlamento – "é um absurdo", defendeu –, Mendes acusa o PSD, que sugeriu esta comissão, de ter sido "ingénuo" e de ter "lançado uma boia ao Governo", alinhando num "Bloco Central da asneira". No Parlamento, avisou, "nada é rápido, tudo é politizado e fica tudo em águas de bacalhau". E António Costa. "que nunca aceitou nenhuma sugestão do PSD, agora deu-lhe jeito".

Marques Mendes só não percebe porque é que António Costa e a ministra Constança Urbano de Sousa não fizeram o mesmo de há um ano, quando, perante um incêndio em S. Pedro do Sul que só matou uma pessoa, mandaram de imediato abrir um inquérito.

"Dá a sensação de que o Governo tem medo", acusou. E que "está preocupado em salvar a pele de alguém" perante as falhas que já vieram a público, nomeadamente as noticiadas pelo Expresso: que o Executivo "mudou de alto a baixo a estrutura da Proteção Civil a poucos meses da época de incêndios" e que "o SIRESP falhou porque o Estado tem duas carrinhas e não pode atuar porque estas não estão equipadas com antenas".

Na opinião do comentador, o Governo esteve bem numa coisa: "No apoio às vítimas". E o Presidente da República "esteve bem do princípio ao fim".

Marques Mendes também comentou as acusações da justiça espanhola a Cristiano Ronaldo - "absurdas" - e a reação do jogador - "teve uma atitude exemplar, não abriu a boca", ao contrário dos seus assessores que "andaram a plantar notícias".

Sobre os emails denunciados pelo Futebol Clube do Porto e que responsáveis do Benfica terão trocado com árbitros, Marques Mendes, benfiquista convicto, defendeu que perante suspeitas de corrupção, seja "o Benfica, o Sporting, o Porto, o Manuel ou o Joaquim, investigue-se".