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Pacheco Pereira diz que os incêndios deram lugar a uma “masturbação da dor”

Luis Barra

O social-democrata criticou a cobertura mediática da tragédia dos incêndios, que considera ter sido apenas movida pela “lógica das audiências” sem “papel pedagógico nenhum”. O centrista Lobo Xavier admitiu a hipótese de se recorrerem a expropriações para resolver o problema da ausência de limpeza dos terrenos

“Assistiu-se a uma coisa absolutamente inaceitável… uma espécie de masturbação da dor”, afirmou Pacheco Pereira, criticando, esta quinta-feira à noite no programa da SIC Notícias “Quadratura do Círculo”, a cobertura mediática da tragédia dos incêndios.

O social-democrata acusou os media de terem sido movidos pela “lógica das audiências”, numa abordagem sem “papel pedagógico nenhum”.

Relativamente às responsabilidades políticas, o centrista Lobo Xavier disse que nem todas deverão recair apenas nos atuais governantes, referindo a esse propósito o falhanço do sistema de comunicações SIRESP, adquirido há anos e que “tinha funcionalidades absolutamente desadequadas e anacrónicas nos tempos atuais”. Ao mesmo tempo, também referiu ser “difícil de perceber” as orientações que levaram a que tenham sido “conduzidos automóveis para uma estrada rodeada por fogo”. Quanto ao centro de coordenação, relatou ainda os testemunhos que dão conta se ser algo “do século passado, com papeis em cima da mesa” e sem “meios digitais”.

Falando sobre o problema de fundo que leva a que todos os anos se assista a um “remake dos incêndios”, Pacheco Pereira considerou que a questão não se resolve com mais legislação, pois há “falta de autoridade do Estado” nesta área. Quanto ao falhanço do sistema de comunicações e do planeamento florestal, considerou remeter para “uma área cheia de casos de corrupção” com “estreita ligação ao sector político”, o que leva à proliferação dos eucaliptos “sem grandes cuidados” .

Lobo Xavier afirmou que “mais de 50% dos incêndios decorrem de comportamentos criminosos ou de negligência” e que o problema da falta de limpeza dos terrenos é especialmente complicado de resolver por o seu custo ser “desproporcional ao rendimento da floresta portuguesa”. Admitindo que a solução passe pelo estabelecimento de multas ou que se chegue à “expropriação” nos casos de negligência.