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PM exige “resposta urgente” a GNR, Proteção Civil e IPMA

Despacho de António Costa questiona comandante geral da GNR e presidentes da Proteção Civil e do Instituto Português do Mar e da Atmosfera sobre atuação perante o surgimento do incêndio de Pedrógão Grande. Primeiro-ministro quer “resposta urgente”

Um despacho do primeiro-ministro, enviado esta segunda-feira pela chefe de Gabinete, questiona diretamente os responsáveis máximos da GNR, Proteção Civil e Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) sobre a atuação perante a catástrofe do fogo que deflagrou no sábado, em Pedrógão Grande.

Para António Costa, "há três questões" que necessitam de esclarecimento urgente: se existiram circunstâncias meteorológicas invulgares, se a rede de comunicações do SIRESP falhou e se foram tomadas medidas de segurança para acautelar a circulação na Estrada Nacional EN 236-I, que ficou conhecida como "estrada da morte", depois de nela terem morrido 47 pessoas que fugiam do incêndio.

A atitude do primeiro-ministro surge depois de uma escalada do número de vítimas desta tragédia – que ascende já aos 64 mortos e 160 feridos, dos quais sete em estado crítico – e no momento em que os incêndios que começaram no sábado continuam ativos e a alastrar. O Governo tem dito que este é o momento do combate ao fogo e não para tirar conclusões. No entanto, face às críticas públicas e às denúncias de várias falhas no combate às chamas e na proteção das populações, o chefe do Governo começou já a pedir explicações.

O teor do despacho do primeiro-ministro, a que o Expresso teve acesso, é o seguinte:

"Sem prejuízo da avaliação global que terá lugar no termo das operações ainda em curso, há três questões relativas à tragédia ocorrida em Pedrogão Grande no passado sábado, que entendo necessário esclarecer desde já:

1. Houve no local circunstâncias meteorológicas e dinâmicas geofísicas invulgares que possam explicar a dimensão e intensidade da tragédia, em especial no número de vítimas humanas, sem paralelo nas ocorrências de incêndios florestais, infelizmente tão frequentes em Portugal?

2. Confirma-se que houve interrupção do funcionamento da rede SIRESP, porquê, durante quanto tempo, se não funcionaram as suas próprias redundâncias e que impacto teve no planeamento, comando e execução das operações, como se estabeleceram ligações alternativas?

3. Porque não foi encerrada ao trânsito a EN 236-I, foi esta via indicada pelas autoridades como alternativa ao IC 8 já encerrado e foram adotadas medidas de segurança à circulação nesta via?

Para rápido esclarecimento determino que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, I.P., a Autoridade Nacional de Proteção Civil e a Guarda Nacional Republicana respondam, respetivamente, às questões 1,2 e 3."