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Governo mobiliza seis ministérios, culpas não é para já

Miguel A. Lopes / Lusa

Administração Interna, Planeamento, Segurança Social, Saúde, Defesa e Justiça. Seis ministérios estão no terreno. Apurar responsabilidades e tirar decisões da gaveta é que não é para já

O Governo mobilizou responsáveis de seis ministérios para darem resposta às várias frentes da tragédia de Pedrógão Grande. O ministro da Agricultura já anunciou apoios a fundo perdido para agricultores afetados pelos fogos e outros apoios estão a ser preparados pelo Executivo. Para já, o silêncio é ainda total sobre o que fazer para que tudo não continue a na mesma

Há um ano, em plena época de incêndios, o Presidente da República preveniu o Governo de que estaria atento a medidas sobre o ordenamento do território, por ter a “certeza que no pino do inverno ninguém se esquece do que aconteceu no pino do verão“. Passado um ano, os diplomas que o Governo apresentou no Parlamento em abril estão parados. Mas perante a tragédia de Pedrógão, a classe política concertou-se na moderação – o apuramento de responsabilidades e a resposta a dar para futuro não deverão, para já, abrir nova frente de combate. Virão depois.

Para já, em campo estão: a Administração Interna, que lida com as questões operacionais do combate aos fogos; o Planeamento, responsável pela reposição de infraestruturas básicas afetadas, como postes de eletricidade e de comunicações, além de tutelar o acesso aos fundos comunitários que serão acionados para pagar danos; a Segurança Social, responsável pelo apoio às famílias, nomeadamente os que ficaram sem habitação; a Saúde, para acompanhar a resposta dos hospitais; a Defesa, por ter o Exército envolvido no combate às chamas; e a Justiça, por tutelar a Polícia Judiciária, que foi célere a garantir ter descoberto a origem do fogo numa árvore atingida por uma trovoada seca, e também o Instituto de Medicina Legal.

Depois do diagnóstico em tom definitivo do diretor da PJ, logo no sábado, quer o primeiro-ministro, quer a ministra da Administração Interna têm dito que é cedo para falar de causas e responsabilidades, remetendo para um segundo momento a apresentação de conclusões.

Há autoridades policiais no terreno e continua a ser feito o levantamento de dados. Concertado com o Presidente da República, que também considerou prioritário nestes dias “combater os incêndios e dar apoio às pessoas”, o Governo adia o acerto de contas sobre o que se passou, como se passou e porque se passou.

Marcelo Rebelo de Sousa concorda que “já temos muitas frentes pela frente, não vamos juntar mais frentes neste momento”. Mas deixou a porta aberta para que uma frente política apareça no rescaldo da tragédia.

O Presidente da República louvou as palavras do líder da oposição. E o que disse Pedro Passos Coelho? Avisou que “não se deve desdramatizar” o que aconteceu mas, embora concorde que “os políticos terão de deixar para uma ocasião posterior uma avaliação mais detalhada sobre tudo o que se passou”, Passos foi claro: “Em face destas consequências, as pessoas quererão saber o que é que se passou”. Garantiu, aliás, que “vai estar cá” para acompanhar o processo com atenção.