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Porto desiste de correr a solo e integra comissão nacional da candidatura à Agência Europeia do Medicamento

ESTELA SILVA / Lusa

Em carta aos vereadores, Rui Moreira esclarece que o Porto passa a integrar diretamente a candidatura nacional à EMA, em detrimento da criação de uma comissão autónoma. Eurico Castro Alves e Ricardo Valente serão os representantes da cidade na comissão nacional

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Numa longa carta endereçada esta segunda-feira a toda a vereação, o presidente da Câmara do Porto defende que face à reabertura do Governo para incluir também a cidade do Porto na candidatura à sede da Agência Europeia do Medicamento (EMA, sigla em inglês), deixa de ser necessária a criação de um grupo de trabalho próprio, conforme preconizou o vereador Manuel Pizarro, na passada terça-feira, “a menos que os representantes da comissão entendam fazê-lo”.

Rui Moreira, na mesma missiva, apela a que esta matéria não seja alvo de “demagogia e eleitoralismo”, tendo nomeado Ricardo Valente, vereador com o pelouro do Desenvolvimento Económico e Social, independente eleito pelo PSD em 2013, e Eurico Castro Alves, ex-presidente do Infarmed, diretor do serviço de Cirurgia do Hospital de Santo António e secretário de Estado do ministro da Saúde Leal da Costa na reta final do anterior Governo, como representantes do Porto na comissão nacional.

O presidente da Câmara do Porto justifica a mudança de estratégia com a aceitação do Governo em reabrir o processo de candidatura, até este sábado apenas exclusiva a Lisboa e que motivou uma onda de protesto a norte de todos os quadrantes políticos.

Em comunicado publicado no site da autarquia, Moreira reproduz a carta enviada aos vereadores e na qual informa que, no passado sábado, recebeu um telefonema do ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, informando-o de que o Governo pretende incluir representantes da Câmara do Porto na Comissão Nacional de Candidatura à EMA, que assim “deixa de ser a candidatura da cidade de Lisboa”. Para o líder autárquico, a reviravolta governamental ajusta-se “inteiramente” ao que solicitou, por carta, a António Costa a 2 de maio, lembrando que o objetivo do Governo é considerar Lisboa e Porto como localizações possíveis a indicar à Comissão Europeia.

Elogios ao Costa por reversão “rara”

Embora seja provável que apenas uma das cidades possa ser apresentada como candidata, a agora reconstituída Comissão Nacional terá “apenas cerca de um mês para apurar qual das duas oferece melhores condições competitivas e fechar a candidatura”. A escassez de tempo para formalizar uma candidatura própria, dado o prazo de entrega de candidaturas terminar a 31 de julho, é outra das razões invocadas para o Porto deixar cair o seu projeto autónomo, .

Para o autarca, a constituição do grupo de trabalho proposto por Manuel Pizarro, ex-parceiro de coligação e candidato do PS à Câmara do Porto, fica “agora prejudicada; ou mais concretamente, deixou de ser necessária, porque o fim que tinha em vista já foi alcançado. O mérito relativo à cidade do Porto já está reconhecido”.

Além de aceitar integrar a comissão nacional, Rui Moreira avança ainda os nomes dos dois representantes da autarquia por si escolhidos para integrarem essa comissão: Ricardo Valente e Eurico Castro Alves. Este último havia já na passada terça-feira sido sugerido por Manuel Pizarro.

A proposta de Rui Moreira será levada a ratificação do executivo municipal.

A carta culmina com reconhecimentos ao Governo, nas pessoas do primeiro-ministro e ministro da Saúde, pela abertura e capacidade “rara” de reverterem uma decisão inicial.