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Hélder Amaral: “Não basta um Presidente da República dar beijinhos no dói-dói e dizer que não há nada a fazer”

Marcos Borga

Para o deputado centrista, “já chega de tragédias destas: não há falta de meios, nem há condições nunca vistas”

Haverá ilações políticas a tirar da tragédia de Pedrógão Grande – mas os partidos políticos, da esquerda à direita, decidiram, durante o fim de semana, adiar o apuramento de responsabilidades.

Contudo, há quem dentro dos partidos não queira que a culpa “morra solteira” e já peça consequências. Helder Amaral, deputado do CDS, utilizou o Facebook para expressar a sua solidariedade com as “gentes de Pedrógão Grande”, mas também lembrar que “não basta um Presidente da República dar beijinhos no dói-dói, e dizer que não há nada a fazer.”

Para o deputado centrista, “já chega de tragédias destas: não há falta de meios, nem há condições nunca vistas. O vento, a temperatura e a humidade são similares aos registados em agosto do ano passado, ou no Caramulo, no fatídico verão de 2013”.

Segundo o deputado, a Autoridade Nacional de Proteção Civil conhece com razoável antecedência as condições do tempo. “O que falta? Prevenção, prevenção, prevenção… Os senhores autarcas e os bombeiros sabem a floresta que têm. É obrigatório terem mapas de risco atualizados, e é fundamental levar muito a sério estes riscos”, defende.

Também o ex-deputado do CDS Francisco Mendes da Silva defendeu que é preciso apurar responsabilidades nesta tragédia que vitimou 62 pessoas no centro do país. “Este não é o momento para se apurarem responsabilidades - técnicas ou políticas. Mas é o momento para se apurar a irresponsabilidade dos que dizem que nenhuma responsabilidade técnica ou política falhou, porque terá sido feito o máximo que poderia ter sido feito”, escreveu Francisco Mendes da Silva num post no Facebook.

O ex-deputado centrista não deixou também de criticar as declarações de Marcelo Rebelo de Sousa sobre o incêndio em Pedrógão Grande. “Se a tragédia em si mesma já é tão assustadora, que dizer de um país em que até o Presidente da República e o Presidente da Liga dos Bombeiros se empenham em bloquear qualquer ambiente favorável ao nosso aperfeiçoamento enquanto povo e sociedade? Não havia mesmo nada a fazer para que esta tragédia não acontecesse ou fosse menos devastadora? Nada há a aprender? Nada há a melhorar para o futuro? Devemos ter medo deste país?”, questionou.