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Marcelo: “Remem na mesma direção”

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa durante a inauguração do ECOMARE – Laboratório para a Inovação e Sustentabilidade dos Recursos Biológicos Marinhos da Universidade de Aveiro.

JOSÉ COELHO/LUS

Presidente da República pediu esta quinta-feira aos partidos que se entendam na candidatura para a Agência Europeia do Medicamento

O Presidente da República (PR) pediu esta quinta-feira que os partidos “estabilizem a opinião” sobre a localidade portuguesa a candidatar à Agência Europeia do Medicamento (EMA), escolham “a que tem melhores hipóteses de ganhar” e “remem na mesma direção”.

“O que o PR pode desejar, em primeiro lugar, é que rapidamente os partidos definam uma posição. Se é a que tinham, se é outra e qual: Porto ou Braga. Depois, que definam por consenso, para um não defender uma coisa e outro defender outra”, pediu Marcelo Rebelo de Sousa, questionado sobre a possibilidade de ainda haver unidade nacional relativamente à localidade portuguesa a candidatar à sede da EMA, que deve abandonar Londres com a saída do Reino Unido da União Europeia.

“É preciso todos juntarem-se para que Portugal ganhe, porque isso é que é importante”, acrescentou, em declarações aos jornalistas na Póvoa de Varzim, alertando que o acordo partidário deve ser “rápido”, porque está em causa uma “luta muito difícil”, com “hipóteses limitadas”, pelo que importa não torná-las “impossíveis”.

“O que posso pedir é os partidos estabilizem a opinião, cheguem ao acordo possível e depois remem todos na mesma direção, senão o que já é difícil torna-se impossível”, frisou o chefe de Estado, à margem de cerimónia de homenagem à Associação Pró-Maior Segurança dos Homens do Mar, com o título de membro honorário da Ordem de Mérito.

Horas antes, em Ílhavo, Marcelo Rebelo de Sousa fizera já o apelo ao consenso em torno daquilo que “melhor realiza o interesse nacional”, mas sem se referir diretamente à polémica em torno da localização da Agência Europeia do Medicamento.

“Havendo três, quatro, cinco hipóteses alternativas, convém criar-se um consenso em torno de uma delas e fazer convergir a força em torno desse consenso, sob pena de que aquilo que já é difícil passe a ser impossível”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, durante a inauguração do ECOMARE - Laboratório para a Inovação e Sustentabilidade dos Recursos Biológicos Marinho, realçando a “interdisciplinaridade” patente nesta infraestrutura da Universidade de Aveiro (UA). “Aqui convergem instituições nacionais, regionais, municipais, públicas, privadas. E essa convergência é um exemplo para o país”, disse o Presidente da República, afirmando ser um defensor da descentralização.

O chefe de Estado disse ainda ter a sensação de que em momentos cruciais se “dispersam as energias”, defendendo que “se o que melhor realiza o interesse nacional é um projeto virado para fora mas descentralizado cá dentro, melhor. Se não, naturalmente terá de se rever essa posição”.

O primeiro-ministro, António Costa, decidiu candidatar Lisboa para acolher a Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla inglesa) por “ser fator de preferência a existência de Escola Europeia, que só Lisboa poderá vir a ter”, indica uma carta a que a agência Lusa teve acesso.

Na carta dirigida ao presidente da Câmara do Porto, o primeiro-ministro diz ser “o primeiro a lamentar não ter sido possível candidatar o Porto porque muito gostaria de também, por esta via, contribuir para reforçar a crescente internacionalização da cidade”.

A “conveniência da proximidade do Infarmed” é outro dos fatores apontados por António Costa como justificação para candidatar Lisboa, e não o Porto, a acolher a sede da EMA que deve abandonar Londres com a saída do Reino Unido da UE. O presidente da Câmara do Porto, o independente Rui Moreira, havia revelado na reunião camarária de 16 de maio ter escrito ao primeiro-ministro a “mostrar o interesse” em acolher a sede da EMA.