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Política

Decisão de candidatar Lisboa revela “falta de coerência”, acusa Rui Rio

JOS\303\211 COELHO

Ex-presidente da Câmara do Porto critica decisão do Governo de candidatar Lisboa para acolher a Agência Europeia do Medicamento e defende que “o excesso de concentração” em Lisboa “degrada a qualidade de vida da capital e das restantes cidades do país”

Helena Bento

Jornalista

Rui Rio acusou o Governo de falta de “coerência” no que diz respeito à decisão de candidatar Lisboa para acolher a Agência Europeia do Medicamento (EMA). “É contraditório que um Governo que fala tanto em descentralização faça isto. Não há coerência entre atos e palavras, e os atos, aqui, são muito mais importantes”, afirmou o ex-presidente da Câmara do Porto em declarações à SIC Notícias, esta quinta-feira.

Comparando a “decisão política” em Portugal e em Espanha - “que tem quatro agências e nenhuma delas é em Madrid, ao passo que Lisboa tem duas e quer ter três” - Rui Rio diz que é “tempo de dar um murro na mesa” para haver uma “ruptura”. “Portugal tem de ser encarado como um todo. O país não é só Lisboa ou o litoral e não pode estar tudo concentrado na capital”, disse. Além disso, questionou o ex-autarca, “porque é que há de estar tudo concentrado em Lisboa se isso degrada a qualidade de vida não só da capital, por excesso de concentração, mas também do resto do país, devido à desertificação?”.

Numa carta enviada a Rui Moreira, presidente da Câmara do Porto, e divulgada na passada terça-feira, 13 de junho, António Costa explica por que razão decidiu candidatar Lisboa para acolher a Agência Europeia do Medicamento (EMA). A “conveniência da proximidade do Infarmed”, agência nacional do medicamento, foi um dos fatores apontados pelo primeiro-ministro para justificar a decisão de candidatar Lisboa e não o Porto para acolher a sede da EMA, que deve abandonar Londres com a saída do Reino Unido da União Europeia. “Sou o primeiro a lamentar não ter sido possível candidatar o Porto porque muito gostaria de também, por esta via, contribuir para reforçar a crescente internacionalização da cidade", escreve António Costa.

Nas mesmas declarações à SIC, Rui Rio considera que esta decisão “não é justa nem democrática” e só contribui para um ter um país ainda mais “desequilibrado”. “Quase que se pode dizer - como dizia o outro - que não foi para isto que se fez o 25 de Abril”, apontou o ex-presidente da Câmara do Porto, acusando a administração central de ser “despesista” e ter “atirado o país para a situação financeira lamentável em que este se encontra”. “Temos de pôr um fim a isto e partir para uma nova etapa”.