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PS-Madeira aprova voto de protesto contra António Costa

PAULO NOVAIS / Lusa

O grupo parlamentar socialista votou ao lado do PSD e do CDS no Parlamento madeirense num protesto contra a visita do primeiro-ministro à Madeira por ocasião do rebaptismo do aeroporto. Socialistas criticam os políticos que “estão de cócoras para Lisboa”

Marta Caires

Jornalista

O voto de protesto do CDS contra António Costa, aprovado na Assembleia Legislativa da Madeira esta quarta-feira, é duro, fala de interferências de Lisboa para impor aos madeirenses um candidato nas eleições regionais de 2019, mas mesmo assim os deputados do PS votaram a favor e, na bancada socialista, não se ouviu uma palavra em defesa do primeiro-ministro. O líder do grupo parlamentar disse mesmo que “o centralismo de Lisboa nem sempre respeita as autonomias e este foi o caso”.

O caso remonta aos dois dias de visita de António Costa à Madeira por ocasião da cerimónia de mudança de nome do aeroporto no fim de março. Segundo o CDS, durante esses dois dias (28 e 29 de março) António Costa desrespeitou os órgãos de governo próprio da Madeira. “Na opinião pública madeirense”, lê-se no texto do voto de protesto, “construiu-se a ideia de que a visita do primeiro-ministro serviu para uma agenda política da Câmara do Funchal”.

Nesses dois dias, além de estar presente na cerimónia no aeroporto e de uma reunião com o presidente do Governo Regional, o chefe do executivo inaugurou a loja do munícipe do Funchal e lançou a primeira pedra do projecto para eliminação do amianto nos bairros sociais da Câmara do Funchal. Costa reuniu ainda com o presidente da Câmara de Santa Cruz, Filipe Sousa, onde, entre outras questões, conseguiu o apoio do JPP – partido com cinco deputados na Assembleia Legislativa – para a coligação de Paulo Cafôfo no Funchal.

“Para o grupo parlamentar do CDS-PP não faltam evidências de que o comportamento, quer da Câmara do Funchal, quer do gabinete do primeiro-ministro, são reveladores de que há uma agenda política que vai muito para além das próximas eleições autárquicas e se projeta na preparação de um candidato socialista à presidência do Governo em 2019 imposto por Lisboa aos madeirenses”. Na verdade, não é apenas o CDS que assim pensa já que, tanto no debate como na votação, apenas o Bloco de Esquerda defendeu António Costa.

Os dois deputados do Bloco de Esquerda também foram os únicos a votar contra. O grupo parlamentar do JPP optou por se abster, não quis entrar em questões de política partidário. De resto, o tom foi duro contra António Costa, contra o centralismo de Lisboa, até do PCP vieram críticas. Edgar Silva lamentou que o primeiro-ministro tenha vindo à Madeira para “inaugurar um cascalho”, e o PSD acrescentou a inauguração da lona onde se anunciava o tal projecto de amianto zero nos bairros sociais.

As críticas mais inesperadas, no entanto, vieram do próprio PS que, além de votar a favor, Jaime Leandro, o líder parlamentar, ainda lamentou os políticos que, na Madeira, “estão de cócoras para Lisboa”. O inesperado é que o voto atinge a Câmara do Funchal e o presidente, que é também candidato por uma coligação de cinco partidos liderada pelo... PS. Também é certo que não é a primeira vez que a candidatura de Paulo Cafôfo e a visita de António Costa à Madeira têm impactos no PS-Madeira.

Em Março, Jaime Leandro, o líder parlamentar, demitiu-se por causa do encontro entre o JPP e o primeiro-ministro para negociar os apoios a Paulo Cafôfo. O que acabou por não ter qualquer efeito já que o presidente do PS-Madeira – Carlos Pereira – não aceitou a demissão e o Leandro continuou no posto. Também não alterou o apoio da direção dos socialistas madeirenses a Paulo Cafôfo que esteve presente na apresentação da candidatura da coligação “Confiança”, a 25 de Abri