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Jovens portugueses poderão tirar férias e trabalhar na Argentina

António Costa, primeiro-ministro de Portugal, e o Presidente da República Argentina, Mauricio Macri.

D.R.

O mesmo vale para os argentinos em Portugal, segundo acordo assinado entre ambos os países em Buenos Aires. No entanto, os grandes acordos que facilitam os investimentos ficaram adiados para um próximo encontro, enquanto a maior aposta de Portugal e Argentina é numa zona de comércio livre entre o Mercosul e a União Europeia

A partir de agora, jovens portugueses e argentinos, entre 18 e 30 anos de idade, vão poder passar férias no outro país e trabalhar legalmente no período máximo de 12 meses. É o que diz o Acordo de Férias e Trabalho, assinado na Casa Rosada, sede do Governo argentino, pelos ministros dos Negócios Estrangeiros de ambos o países durante a reunião entre o primeiro-Ministro, António Costa, e o Presidente Mauricio Macri.

No entanto, os três acordos mais importantes para a intensificação comercial e para os investimentos foram adiados. São os acordos aéreo, o que evita a dupla tributação e o acordo de cooperação económica.

“Penso que os investidores portugueses e as empresas portuguesas estão a olhar mais para o acordo do Mercosul com a União Europeia. Se o acordo for assinado até o final do ano, se vier a ser uma realidade, abrirá enormes oportunidades”, indicou ao Expresso o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral. Essa aposta ficou clara nas declarações de Mauricio Macri e de António Costa, logo após a reunião de trabalho na Casa Rosada.

“Nesta reunião de trabalho, reconfirmamos que ambos acreditamos que essas negociações que tomaram dinâmica entre o Mercosul e a União Europeia são a grande auto-estrada para acelerar a integração. Este é o caminho para o desenvolvimento dos nossos países”, apontou o presidente Macri. “É natural (devido à história) que uma Argentina que se integra com o mundo integre-se primeiro com a Europa”, observou Macri, quem agradeceu o apoio pleno de Portugal à entrada desejada da Argentina no seleto grupo de países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

“As negociações entre a União Europeia e o Mercosul têm uma data ambiciosa marcada para o final do ano. É o momento para trabalharmos já, porque quem começa a trabalhar primeiro, vai chegar primeiro com os melhores resultados desta cooperação numa grande zona de comércio livre entre Europa e Mercosul”, coincidiu o primeiro-Ministro, António Costa. “Este é um momento decisivo para trabalharmos juntos e para tirarmos o máximo partido possível das oportunidades de investimentos na Argentina, de aumentar as exportações de produtos portugueses para a Argentina e de intensificar as complementaridades de muitas produções argentinas com produções portuguesas”, sublinhou.

20 anos sem a visita de um Primeiro-Ministro português

O último primeiro-Ministro português a visitar a Argentina foi António Guterres, em 1997. O Presidente argentino lamentou esse tempo perdido entre ambos os países com longa relação histórica.

“Para países que têm uma história de afeto é muito tempo”, disse. “Temos de aprofundar a relação. Não temos uma relação que esteja ao nível do nosso afeto”, concluiu Macri, quem recordou o período entre 2007 e 2015, em que foi presidente da Câmara de Buenos Aires em sintonia com a presença de António Costa na Câmara de Lisboa.

“Tivemos muitas reuniões de trabalho e tive a oportunidade de conhecer a capacidade, o calor humano e a boa pessoa que é o primeiro-ministro”, disse.

Amigos mais antigos

António Costa, por sua vez, destacou a sintonia do momento histórico entre os dois países que recuperam de dificuldades económicas. E exaltou a antiga amizade que une Portugal e Argentina.

“Somos os amigos mais antigos. Portugal foi o primeiro a reconhecer a independência argentina. Somos amigos desde o primeiro minuto”, disse António Costa.

O Presidente Mauricio Macri pareceu surpreendido. No jantar que Mauricio Macri ofereceu a Barack Obama, no dia 23 de março de 2016, o presidente argentino discursou ao vivo para milhões de argentinos: “Os Estados Unidos foram o primeiro país a reconhecer a independência argentina”. A diplomacia portuguesa na Argentina nem registou a falha de Macri.

Portugal foi o primeiro país europeu a reconhecer a independência argentina, em 1821, e dominou o comércio no Rio da Prata. O reconhecimento norte-americano só viria em 1823. No entanto, o rei Kamehameha I do Hawai reconheceu a independência argentina em 9 de julho de 1817, sendo o primeiro de todos. À época, o mundo eurocentrista não registou o facto histórico.