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António Costa reúne-se com Presidente Mauricio Macri na Argentina

PAULO NOVAIS / LUSA

À noite, foi recebido pela comunidade portuguesa na Argentina

O segundo dia da visita oficial do primeiro-ministro, António Costa, à Argentina será marcado pelo capítulo político, depois de um primeiro dia com eixo no económico-comercial.

Nesta terça-feira, Costa será recebido pelo presidente Mauricio Macri na Casa Rosada, sede do Governo argentino. Na agenda, a visão coincidente de ambos os Governos sobre o comércio livre como gerador de riquezas e de bem-estar para os povos, uma sintonia que aproxima os dois países em tempos de ameaças protecionistas.

Depois de uma reunião bilateral seguida de almoço, o Primeiro-Ministro português avançará pela famosa Avenida de Maio em direção ao Congresso, onde será recebido pelo presidente da Câmara de Deputados, Emilio Monzó, e pela presidente do Senado, Gabriela Michetti, vice-presidente da República. Na Argentina, a Presidência do Senado é sempre ocupada pelo vice-presidente.

No seu primeiro dia na capital argentina, António Costa advogou a conclusão do acordo comercial que visa integrar o Mercosul com a União Europeia como associação dinamizadora do comércio exterior e dos investimentos. E traçou as vantagens de um acordo até o final do ano no qual Portugal ganha projeção.

“Ganha projeção na relação que temos com o Mercosul e na relação do Mercosul com a União Europeia. O crescimento que estamos a ter no comércio exterior bilateral (com a Argentina) teria uma dinâmica ainda mais favorável”, calculou. “Sabemos que há dificuldades de um lado e do outro, mas temos que ter a prioridade de, até o final do ano, fecharmos este acordo”, defendeu.

Para o primeiro-ministro, nenhuma outra região do mundo tem tamanha relação proximidade cultural com Portugal e com Espanha como o Mercosul, bloco formado por Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, com a Venezuela atualmente suspendida. Uma proximidade ainda maior em tempos de discursos protecionistas como o de Donald Trump.

“Tenho esperança que agora, em que outras regiões do mundo têm vindo a isolar-se, haja um estímulo maior para que esse acordo se conclua. Com a evolução da política externa americana, temos agora uma oportunidade única. Se a Europa não aproveitar esta oportunidade agora, arrisca a ficar fora do mapa”, advertiu.

É exatamente a visão que ouvirá do presidente Mauricio Macri nesta terça-feira. “O futuro passa por uma maior integração com o mundo. Nós já viemos de uma etapa de sermos um dos países mais fechados do mundo e isso provocou uma estagnação no crescimento”, explicou recentemente ao Expresso o Presidente Macri, quem vê na ameaça de protecionismo norte-americano uma oportunidade de o Mercosul ganhar terreno no mundo. “Se nos movermos bem, tudo o que está a acontecer no mundo é uma enorme oportunidade”, interpreta.

A Argentina está ávida de investimentos como principal aposta para ampliar a economia depois de uma recessão de cinco anos e para diminuir o défice que alcança insustentáveis 8% do PIB com uma inflação projetada para o ano em torno de 22%, segundo os analistas. Portugal busca posicionar-se agora na região para quando o acordo entre os dois blocos for uma realidade.“O que nós dizemos é que, se melhorarmos agora já o nosso relacionamento económico com a Argentina, aproveitaremos melhor as novas condições que resultarão do acordo comercial e de investimento”, indicou ao Expresso o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva. “Nós entendemos que o relacionamento económico entre Portugal e a Argentina está abaixo do nível que poderia e que deveria estar. Basta pensar que há cerca de 40 mil portugueses e luso-argentinos vivendo na Argentina e que essa é uma porta de entrada no mercado argentino que não está suficientemente explorada”, observou.

António Costa com a ministra dos Negócios Estrangeiros argentina, Susana Malcorra

António Costa com a ministra dos Negócios Estrangeiros argentina, Susana Malcorra

AGUSTIN MARCARIAN / REUTER

Encontro com a comunidade portuguesa na Argentina

O primeiro-ministro, António Costa, foi recebido à noite no Clube Português de Buenos Aires. Mais de 20 das 30 associações portuguesas na Argentina receberam António Costa com elogios à gestão e com uma forte carga emocional sintetizada pela palavra “saudade”.

“A vista oficial é para desenvolver as relações bilaterais com a Argentina, mas não é possível desenvolver essa relação sem pensar na comunidade dos portugueses que vivem na Argentina”, exaltou o Primeiro-Ministro.

O presidente do Conselho das Comunidades Portuguesas na Argentina, José Joaquim Sampaio, entregou diplomaticamente um envelope fechado com demandas dos portugueses e luso-descendentes. Os pedidos vão desde professores de português e material de estudo da língua até mais funcionários no Consulado português em Buenos Aires, onde nos últimos dois anos, por falta de pessoal, os trâmites por documentos passam por demoras consideráveis, por vezes acima de um ano.

António Costa destacou que “a Argentina decidiu introduzir o português como língua de aprendizagem quer no ensino básico quer no ensino secundário”. “E será, para nós, uma prioridade apoiar o governo argentino no processo de formação de professores de português”, decidiu.

E sobre as melhoras nos serviços consulares, Costa destacou a implementação do “Espaço Cidadão” para garantir um ato de inscrição única que continuará válida mesmo quando o residente mudar de residência. Também sublinhou a proposta de lei que visa recenseamento automático na participação das eleições em Portugal a todos os que têm a cidadania portuguesa sem ser necessário uma nova inscrição para votarem nas eleições para a Assembleia da República. E comemorou o recente regulamento da nova lei de nacionalidade portuguesa “para que possam perpetuar a nacionalidade portuguesa e a relação que têm com Portugal.