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Política

Ex-vereador da Câmara do Funchal acusa presidente de corrupção

Paulo Cafôfo, presidente da câmara do Funchal

LUCILIA MONTEIRO

Paulo Cafôfo não comenta acusações de Gil Canha que, numa entrevista ao “Diário de Notícias da Madeira”, diz que o autarca favoreceu grupos económicos e tentou sonegar receitas ao município. Os cinco partidos da coligação que apoiam a recandidatura do atual presidente da Câmara do Funchal repudiam as declarações contra aquele que consideram ser um “homem honesto, capaz e corajoso” e ao serviço da capital madeirense

Marta Caires

Jornalista

Gil Canha não tira uma vírgula às acusações de corrupção, nem às pressões que diz ter sofrido nos poucos meses em que foi o vereador do Urbanismo na Câmara do Funchal era já Paulo Cafôfo o presidente. Além do que afirmou numa entrevista ao “Diário de Notícias da Madeira”, o ex-vereador ainda desafia o adversário a explicar quem é que “financiou a apresentação e o jantar de apresentação da recandidatura” e como é que paga à agência de comunicação que trata da imagem do presidente e candidato de uma coligação de cinco partidos liderada pelo PS. A mesma coligação que já emitiu um comunicado a lamentar as “declarações difamatórias” e a reafirmar o apoio ao “homem honesto, capaz e corajoso” que é o atual presidente da Câmara do Funchal.

Um retrato bem diferente daquele que foi traçado por Gil Canha. “O senhor presidente Paulo Cafôfo é um corrupto e até gostaria que me levasse a tribunal por isso”. O ex-vereador do Urbanismo, que foi eleito na lista de Cafôfo, diz mesmo que o presidente da Câmara do Funchal “deveria ter um plano de corrupção contra si próprio”. O antigo vereador do Urbanismo dá exemplos da corrupção e volta a 2014 e às pressões que sofreu por causa de um regulamento que queria aprovar para disciplinar o licenciamento de esplanadas no Funchal. Isso terá sido, no entanto, o álibi para o defenestrar.

“A verdade é que eu estava a pôr em causa os grandes interesses, não só na Quinta do Lorde, mas do hotel Savoy – havia muita pressão para que fosse licenciado - questões com o Marítimo que, além de dever muito dinheiro, fazia da câmara gato e sapato”. A questão da Quinta do Lorde – um empreendimento hoteleiro no Caniçal (fora do concelho) e alvo de um processo judicial movido pelo extinto PND (o partido de Gil Canha) – levou a um cerco dos funcionários à Câmara do Funchal. Paulo Cafôfo terá pedido a demissão do vereador do Urbanismo nessa ocasião.

O vereador manteve-se, mas não sobreviveu ao braço de ferro para cobrar os três mil euros pelo uso do Mercado dos Lavradores num jantar de campanha de Francisco Assis, então candidato do PS ao Parlamento Europeu. Gil Canha disse que era para pagar, Paulo Cafôfo retirou-lhe o pelouro dos mercados e mandou-o para as oficinas. “Foi a gota que fez transbordar o vaso” e o momento que transformou-os em adversários políticos. Gil Canha nunca mais deu descanso ao executivo municipal e agora é candidato ao Funchal por uma coligação que integra o Partido Monárquico e o Partido dos Reformados e Pensionistas.

Apesar das declarações, do destaque dado na primeira página do matutino madeirense e dos ecos nas redes sociais, sobretudo entre os utilizadores ligados ao PSD, Paulo Cafôfo ficou em silêncio, sendo certo que não irá comentar as acusações de corrupção. A defesa do presidente da Câmara veio num comunicado subscrito pelos cinco partidos que formam a coligação “Confiança”. A coligação “lamenta não só o teor desta pobre entrevista, como, e acima de tudo, que se continue a tentar fazer política desta forma nefasta”.

PS, BE, JPP, PDR e o Nós, Cidadãos afirmam, nesse texto, que as “declarações são difamatórias e inaceitáveis” e que se destinam “a ferir a imagem e a honra pessoal” do presidente da autarquia. Os partidos insistem que “têm um orgulho imenso em apoiar alguém com os valores de Paulo Cafôfo”, o tal “homem honesto, capaz e corajoso” que trabalha para melhorar a vida das pessoas. A coligação promete não fazer política desta forma e não valorizam a “perseguição revanchista” de Gil Canha. O comunicado não menciona qualquer intenção de mover uma ação judicial contra o ex-vereador do Urbanismo.