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Rui Moreira carrega no discurso bairrista

José Coelho / Lusa

O presidente da Câmara do Porto louvou Marcelo Rebelo de Sousa por ter escolhido o Porto, depois de Lisboa, para comemorar o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas de um país uno, que tem na cidade Invicta o ponto de justo equilíbrio. “O Porto fiel da balança”

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Na véspera das celebrações do 10 de Junho, a anteceder o concerto de órgão comemorativo do dia de Portugal, na Sé do Porto, Rui Moreira optou por uma intervenção mais bairrista do que patriótica. A menos de quatro meses das eleições autárquicas, o presidente que se recandidata à Câmara do Porto começou por elogiar o país a sua história, nação que, “pese embora os desequilíbrios, que nem sempre tem sabido compensar, vive bem com a sua geografia, língua e com a sua cultura”.

Na presença do Bispo do Porto, D. António Francisco dos Santos, do Presidente da República e do Primeiro-Ministro, Moreira percorreu algumas das páginas da história de Portugal, “país que tem sabido resistir à voracidade da história e tem sabido capaz de enfrentar todos os desafios”.

O autarca, que já esta semana, criticou a “ideia de grande metrópole” a propósito da exclusão do Porto da candidatura do Porto a sede da Agência Europeia do Medicamento em prol de Lisboa, invocou, não inocentemente, que foi a cidade do Porto “o ponto de justo equilíbrio”, quando se desmoronou o império.

“Deparámo-nos, então, com a realidade de uma velha e inculta metrópole, repartida entre um “interior arcaico e uma capital desmesurada”, lembrando que Jaime Cortesão bem avisara, anos antes que “graças ao Porto, o povo português teve coluna vertebral, e ainda hoje possui um ideal de cidadania”. Coluna vertebral que é hoje, também, parte da indispensável coluna cerebral “deste novo Portugal, ousado, inventivo, estudioso, sagaz e indómito”.

Numa ode ao Porto, Rui Moreira fez questão ainda de relembrar que, quando Portugal se virou para a Europa, mais uma vez foi o Porto e o Norte a sofrerem, “com abnegação o preço da escolha, um preço pago com a desindustrialização em setores profissionais, enquanto o investimento público se concentrava na capital e no velho sonho de fazer dela uma grande cidade mercantil”.

Antes de concluir a intervenção marcadamente anti-centralista, concluiu que “sem lugar à mesa, o Porto porfiou”, sendo sempre o fiel da balança “mesmo quando a crise nos bateu à porta”. O presidente da Câmara do Porto, foi o próprio a reconhecer que não irá faltar quem veja no seu discurso algum bairrismo, respondendo “a esses” com as palavras de Sophia: “Nasci no Porto, sei o nome das flores e das árvores e não escapo a um certo bairrismo”.

Dirigindo ao Presidente da República, Moreira considerou a sua visita, amanhã, ao Brasil, integrada nas comemorações do dia de Portugal, como oportuna, país fundado, “pelo nosso Dom Pedro”, cujo coração a cidade guarda na portuense igreja da Lapa.

As celebrações do primeiro dia das comemorações de 10 de junho, que amanhã prosseguem no Porto até à partida de Marcelo rumo a São Paulo, e depois ao Rio de Janeiro, ao início da tarde, culminaram com um jantar volante e lançamento de fogo-de-artifício sobre o rio Douro, no Terreiro da Sé.