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Manuel Alegre: “Pereira Gomes não pode dizer na minha cara que tem a consciência tranquila”

Lucília Monteiro

Em artigo de opinião no DN, Manuel Alegre manifesta-se aliviado por Pereira Gomes não vir a ocupar o lugar de secretário-geral das secretas. “Ele sabe que eu sei que telefonava constantemente a Guterres a pedir para o tirarem de lá”, diz, referindo-se ao papel do diplomata em Timor Leste em 1999

O socialista Manuel Alegre diz estar aliviado pelo facto de Pereira Gomes já não vir a ocupar o lugar de secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa, criticando o papel do diplomata em Timor-Leste em 1999 e revelando ter aconselhado António Costa a recuar na sua indicação.

Pereira Gomes, responsável pela missão de observação do referendo sobre a independência de Timor em 1999, é acusado de ter pressionado o Governo português para a retirada da missão, que acabou por sair do território antes da chegada dos enviados da ONU para avaliar a situação no terreno em que as forças indonésias pegaram em armas contra o povo timorense pelo facto do sim à independência ter ganho o referendo.

"Pereira Gomes não pode dizer na minha cara que tem a consciência tranquila. Ele sabe que eu sei que telefonava constantemente a Guterres a pedir para o tirarem de lá. Ele sabe que eu sei que ofereceu o meu filho [o diplomata Francisco Alegre Duarte] como voluntário para ele se pôr ao fresco", escreve Alegre.

"O meu filho aceitou, por sentido de dever, o repto que lhe foi lançado pelo governo. Foi o bom senso de Jaime Gama [então ministro dos Negócios Estrangeiros ] que evitou a vergonha do chefe da missão se vir embora, entregando às feras o diplomata mais novo. O ministro Santos Silva também sabe que eu sei que ele sabia que Pereira Gomes era uma péssima escolha", acrescenta.

Alegre sublinha não ter deito declarações públicas até agora, mas revela ter comunicado "com lealdade a António Costa" a sua "discordância total com uma escolha a todos os títulos inadequada".

Perante a indisponibilidade de Pereira Gomes para ir para chefe das secretas, anunciada ontem, o histórico socialista comenta: "Sinto um grande alívio. Fica salvaguardada a dignidade do Estado, que não pode premiar quem não cumpre o seu dever".