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Assunção Cristas critica “ligeireza” com que Governo trata questão das Secretas

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas

FERNANDO VELUDO/LUSA

Líder centrista realça a importância da liderança nos serviços de informação face ao desafio da segurança e do combate ao terrorismo

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, criticou esta quinta-feira a "ligeireza com que o Governo e o primeiro-ministro" tratam da questão das secretas, sublinhando que há uma dupla ausência de liderança, no secretário-geral e na fiscalização.

"Faltam as lideranças quer nos serviços de informação, quer na fiscalização dos serviços de informação. Creio que é um tema lamentável para o Governo e para o PS. Deixo esta nota de preocupação pela ligeireza com que o Governo e o primeiro-ministro tratam de matérias tão importantes para o país", afirmou Assunção Cristas aos jornalistas, à margem do European Roundtable 2017, da Fundação Konrad Adenauer.

A líder centrista sublinhou a existência de "uma ameaça global, uma ameaça na Europa", e da necessidade de os países estarem "seguros do seu caminho e que todos os instrumentos estejam bem apetrechados" para responder ao "desafio da segurança e do combate ao terrorismo".

"Em Portugal nós não temos um chefe dos serviços de informação, como sabemos através destes episódios sucessivos e que não são brilhantes, pelo contrário. Revelam uma gestão muito ligeira por parte do Governo e também não temos a entidade e a pessoa que fiscaliza os serviços de informação", sustentou.

Questionada sobre a continuação do acordo entre os partidos da maioria de esquerda que apoiam o Governo, referido pelo primeiro-ministro, António Costa, numa entrevista à SIC na quarta-feira à noite, Assunção Cristas respondeu: "Não me meto em questões internas das esquerdas unidas".

A presidente do CDS-PP também foi confrontada com a convicção de António Costa de que a greve convocada por dois sindicatos de professores para dia 21 de junho, dia de exames nacionais, possa ser evitada, tendo reiterado o apelo dos centristas ao "bom senso", para que o esforço de alunos, docentes e famílias não seja colocado em causa.

Contudo, Assunção Cristas sinalizou que se trata de um sintoma de que "nem tudo vai bem" no sector da educação: "a verdade é que este pré-aviso de greve vem sublinhar que as coisas não estavam tão bem como o Governo fazia crer", disse.

O embaixador José Júlio Pereira Gomes comunicou na quarta-feira ao primeiro-ministro a sua indisponibilidade para aceitar o cargo de secretário-geral do Serviço de Informações da República Portuguesa (SIRP).

"Importando salvaguardar a dignidade do cargo de secretário-geral do SIRP de toda e qualquer polémica, que naturalmente se repercutiria negativamente no exercício das suas funções, resolvi comunicar a S. Exa. o primeiro-ministro a minha indisponibilidade para aceitar o cargo para que me havia convidado, agradecendo-lhe a confiança em mim depositada", lê-se na carta enviada a António Costa.
Quase à mesma hora, no parlamento, a deputada e vice-presidente do PSD Teresa Morais falhou os dois terços necessários para ser eleita para o Conselho de Fiscalização dos Serviços de Informações da República Portuguesa (CFSIRP), conseguindo 112 votos em 212 votantes.

O PS manifestou a sua oposição à escolha de Teresa Morais antes até da formalização da sua candidatura por parte do PSD, tendo a própria admitido, na terça-feira, que a sua eleição seria difícil.