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Secretas. Ana Gomes admite explicar na AR razões contra escolha de Pereira Gomes

António Pedro Ferreira

“Obviamente, estou disponível para comparecer diante da Assembleia se for chamada. E acho que pode ser útil chamar mais gente além do ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Jaime Gama, como membros da missão de observadores portugueses que lá ficaram até ao fim, incluindo diplomatas”, diz a eurodeputada

A eurodeputada do PS Ana Gomes diz estar "obviamente disponível" a ir ao Parlamento português explicar por que motivo o embaixador José Júlio Pereira Gomes não deve ser secretário-geral das secretas portuguesas.

"Obviamente, estou disponível para comparecer diante da Assembleia se for chamada. E acho que pode ser útil chamar mais gente além do ex-ministro dos Negócios Estrangeiros Jaime Gama, como membros da missão de observadores portugueses que lá ficaram até ao fim, incluindo diplomatas", disse Ana Gomes à Lusa, a partir de Bruxelas, esta terça-feira.

A sugestão de audição de Ana Gomes e Jaime Gama para esclarecer o caso foi feita pelo ex-líder do PSD Luís Marques Mendes, no seu habitual comentário dominical no "Jornal da Noite "da SIC.

A polémica com a nomeação de Pereira Gomes começou na semana passada no "DN", quando a ex-embaixadora de Portugal em Jacarta afirmou ter ficado "muito surpreendida e apreensiva" com a escolha por este ter abandonado Timor-Leste em 1999, onde era chefe de missão portuguesa de observação.

Para Ana Gomes, além dos jornalistas em reportagem, membros da Grupo de Operações Especiais (GOE) da PSP, também o ex-primeiro-ministro e atual secretário-geral da ONU, António Guterres, "acompanhou de perto o assunto e sabe muito bem o que se passou".

Numa resposta ao embaixador Pereira Gomes, a ex-diplomata afirmou que a "questão não é se houve uma ordem do Ministério dos Negócios Estrangeiros para retirar a missão, não há dúvida que houve". "A questão é como é que essa ordem foi obtida", explica, e o "tempo dessa decisão" é importante.

A ordem, recorda, "foi dada às 5h de 10 de setembro de 1999, era um dia em que já estava em Jacarta uma missão do Conselho de Segurança da ONU que ia a caminho de Díli", que tinha sido pedida por Portugal.

Depois de um encontro com a embaixadora, em Jacarta, essa missão chegou a Díli no dia seguinte e não tinha qualquer representante português a recebê-la, apenas Ian Martin, chefe da UNAMET.

"Não me venham com a conversa de que a missão estava esgotada, que se teria esgotado na votação [do referendo em que a independência ganhou por larga maioria]. A missão não era só para saber se os timorenses poderiam votar. A questão da segurança no dia seguinte esteve sempre em cima da mesa, era a questão-chave", descreve.

E justifica a importância de estar um representante de Portugal, "como potência administrante, que ainda era na altura", na receção à missão do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

"Para dar um sinal aos timorenses que não estavam sozinhos, que Portugal não estava a abandonar Timor-Leste e os timorenses outra vez", afirma à Lusa.

Por último, a ex-diplomata e atual eurodeputada sugere que os deputados portugueses consultem a documentação de 1999 depositada no Ministério dos Negócios Estrangeiros "e que a Assembleia da República poderia pedir para analisar".

Na edição de quinta-feira da semana passadado "DN", a ex-embaixadora afirmou que ficou "muito surpreendida e apreensiva" com a escolha de Pereira Gomes pelo abandono de Timor-Leste em 1999, onde era chefe de missão portuguesa de observação.

E referiu que, "não estando em causa o percurso profissional, falta a Pereira Gomes o perfil psicológico" para secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP).

Horas depois, o diplomata reafirmou, numa carta ao matutino, que deixou Díli por ordem do Governo.

Ainda na sexta-feira, o primeiro-ministro, António Costa, manifestou confiança no diplomata para o desempenho das funções de secretário-geral das 'secretas'.