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PM aceitou renúncia de embaixador Pereira Gomes mas mantém confiança

Embaixador Pereira Gomes renunciou às secretas. Em comunicado, o primeiro-ministro reitera a confiança na escolha. Das informações que recolheu, considera que Pereira Gomes "não teve um comportamento pessoal e profissional desadequado" em Timor

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

António Costa considera que o embaixador Pereira Gomes, que tinha indigitado para secretário-geral do SIRP, "não teve um comportamento pessoal e profissional desadequado" em Timor, tendo procedido à evacuação da missão, em setembro de 1999, obedecendo às instruções que lhe foram transmitidas pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa.

O diplomata não terá assim desobedecido nem contrariado "qualquer ordem para se manter em Díli", escreve o PM num comunicado oficial, publicado minutos depois da carta de renúncia à sua indigitação pelo próprio embaixador Pereira Gomes.

Nessa carta, Pereira Gomes afirmava que devido às reservas suscitadas à sua indigitação, em particular por causa do processo de retirada dos observadores portugueses de Timor, considerava que a polémica iria refletir-se negativamente no exercício das suas futuras funções. Reafirmando, portanto, a sua versão, o diplomata manifestava a sua "indisponibilidade" para o cargo.

António Costa vem agora caucionar a versão do diplomata, depois de ter feito as avaliações que entendeu seu dever realizar perante o "questionamento público da indigitação".

Segundo afirma, falou pessoalmente com "os então Primeiro-ministro e Ministro dos Negócios Estrangeiros, António Guterres e Jaime Gama, com o Embaixador Fernando Neves à data responsável pelo dossier de Timor Leste no MNE, com o Embaixador Francisco Ribeiro de Menezes que exercia em substituição as funções de Chefe de Gabinete do Ministro dos Negócios Estrangeiros, com o Embaixador Freitas Ferraz, então assessor diplomático do Primeiro-ministro e ainda com o atual Diretor Nacional da PSP, um dos oficiais desta Força de Segurança que integrou a missão de observadores eleitorais".

Os outros diplomatas integrados na missão, como Francisco Alegre Duarte, elementos da PSP e o próprio Ian Martin, o australiano que chefiou a missão das Nações Unidas em Timor na altura, foram ouvidos por intermédio do ministro Augusto Santos Silva.

Das avaliações que fez, o PM diz reter "dois pontos essenciais", o de que o embaixador procedeu à evacuação por instruções diretas do Governo português, que fez as diligências de que foi incumbido "para evacuar os timorenses que trabalharam e apoiaram a missão portuguesa, num contexto muito difícil de grande insegurança, e em que vários desses timorenses já se tinham entretanto refugiado nas montanhas".

Estas são as razões pelas quais António Costa conclui que Pereira Gomes "não teve um comportamento pessoal e profissional desadequado" o qual, diz, foi confirmado pelo facto de ter prosseguido a sua carreira, "tendo sido sucessivamente objeto de promoção em 2002, 2005 e 2015, até atingir o topo da sua carreira como Embaixador".

E termina: "Mantenho por isso a confiança que justificou a sua indigitação".