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Costa garante geringonça na próxima Legislatura

Entrevista ou debate? Os termos confundiram-se no frente a frente entre o primeiro-ministro e José Gomes Ferreira, na SIC. Costa diz que ainda tem esperança num acordo que evite a greve dos professores marcada para o próxima dia 21 e acha que apesar da “natural tensão” com os partidos à esquerda do PS, a atual solução governativa é para continuar

De um lado, o primeiro-ministro. Do outro, o jornalista e especialista em assuntos económicos da SIC. Durante cerca de meia hora, o País esteve em cima da mesa e a entrevista, marcada para encerrar o jornal da noite, teve momentos de confronto direto. Foi mais um "debate", assumido por ambos, que nem dispensou o jornalista de deslizar no tratamento ao chefe do Governo para um cordial "António"e que terminou com um aperto de mãos e com um remate final: "estamos de acordo, até para o ano", disse Costa.

O primeiro-ministro esteve otimista, como sempre. O jornalista tentou desfazer o quadro rosa da situação das contas públicas, trazendo provas de que o Governo mantém o quadro da austeridade em vigor desde o período da troika. "Rigor orçamental não é austeridade", diz o primeiro-ministro, que aproveitou a deixa para enumerar o rol de alterações as políticas seguidas pelo anterior Governo.

Costa foi minucioso a listar o que já fez, mas parco em adiantar o que poderá trazer o próximo orçamento de Estado. Gomes Ferreira bem tentou, mas o primeiro-ministro não abriu mais o jogo acerca da mudança dos escalões do IRS (que tratará um desdobramento entre os 1º e 2º escalões de rendimentos), ou sobre o eventual alargamento das deduções à coleta.

Tão pouco Costa quis adiantar detalhes sobre as mudanças nas reformas antecipadas, limitando-se a dizer que "não há condições financeiras" para libertar de "qualquer tipo de penalizações" quem queira passar à reforma com 60 anos e menos de 46 anos de descontos.

Apesar das insistências, o primeiro-ministro não trouxe notícias no bolso. Pelo menos, em matéria económica. Mas já quanto ao crescendo da tensão política com a ameaça de greves dos professores e dos juízes, Costa quis claramente por água na fervura. "A greve é um ato legítimo, mas a esperança que tenho é que seja possível um acordo" nem que seja "no último minuto", disse.

Lembrando como "o ano letivo começou tão bem, sinceramente não vejo nenhuma razão para que não possa haver um entendimento". O recado ficou dado. O ministro da Educação recebe, aliás, sexta-feira os sindicatos independentes dos professores que marcaram uma greve já para a próxima semana.

O aumento da tensão social ao fim de quase dois anos de Governo é vista como "normal" e o primeiro-ministro recusa quaisquer leituras de uma crise na parceria parlamentar. Antes pelo contrário, Costa quer deixar claro que a solução governativa está para lavar e durar, mesmo para lá das eleições Legislativas.

"Esta solução de Governo tem muitas vantagens e não se esgota na aritmética parlamentar". "É uma solução que se deve manter, independentemente dos resultados eleitorais", disse, sublinhando que "é desejável é muito saudável para a democracia que o compromisso prossiga".

  • Na íntegra: a entrevista de António Costa à SIC

    António Costa desdramatiza a greve dos professores marcada para um dia de exames nacionais do ensino secundário. Em entrevista à SIC, o primeiro-ministro falou também sobre temas como a revisão dos escalões do IRS, o défice, a saída do procedimento por défice excessivo, as suspeitas de corrupção na EDP e na REN e as eleições autárquicas