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Azeredo admite regresso ao Afeganistão

TIAGO PETINGA / LUSA

Quatro anos depois de terem dado por concluída uma participação mais avultada na missão da NATO no Afeganistão, o ministro da Defesa admitiu esta quarta-feira no Parlamento que as Forças Armadas portuguesas poderão estar de volta

Carlos Abreu

Jornalista

O ministro da Defesa admitiu esta quarta-feira no Parlamento que os militares portugueses poderão estar de volta, já no próximo ano, ao Afeganistão. Numa altura em que se começa a preparar o destacamento de forças nacionais em 2018, Azeredo Lopes disse que “o Afeganistão pode ser uma das hipóteses” e explicou porquê.

“Recordar-se-ão que o compromisso assumido [com a Aliança Atlântica] foi o de que procuraríamos repor o envolvimento das forças terrestres na NATO numa operação que não fosse a qualquer custo, ou seja, não estou obcecado nessa reposição, mantenho e reforço a justeza da decisão quanto ao Kosovo, mas estou à espera de ver, em relação ao Afeganistão se há alguma componente desse potencial reforço que possa ser adaptada à natureza das nossas forças e aos padrões gerais que Portugal tem mantido relativamente à sua participação em forças nacionais destacadas”, referiu Azeredo Lopes.

Em resposta ao deputado João Rebelo (CDS-PP), durante mais uma audição parlamentar na Comissão de Defesa Nacional, o governante reconheceu ainda que “o Afeganistão está numa situação muito, muito delicada, isto para quem acredita que um atentado é tão grave aqui como é, por exemplo, em Londres, já que estamos sempre a falar de vidas humanas”.

“A ilusão que resultou de se pensar que o território estava pacificado foi depressa desmentida. A ilusão quanto à preparação das forças de segurança e militares afegãs quanto a uma autossustentação de segurança e defesa também estava amplamente exagerada. Prevê-se hoje que esse processo possa ainda demorar vários anos até se ter como minimamente concretizado”, explicou ainda o Ministro da Defesa.

Azeredo Lopes recordou ainda que “no tempo da anterior presidência norte-americana [Barack Obama] já tinha sido identificado um défice de vários milhares [de militares] relativamente à missão no Afeganistão. Os Estados Unidos até já tinham decidido fazer um desinvestimento massivo no Afeganistão mas felizmente reverteram essa decisão em plena Cimeira de Varsóvia [julho de 2016, Polónia].

Portugal participou durante cerca de 12 anos na missão da NATO no Afeganistão, a ISAF - Força Internacional de Assistência e Segurança, havendo a lamentar duas baixas: o primeiro-sargento Comando Roma Pereira em novembro de 2005 (aos 33 anos) e o soldado paraquedista Sérgio Pedrosa, em novembro de 2007 (aos 22 anos). Por este complexo e exigente teatro de operações passaram entre 2002 e 2014 mais de 3000 militares portugueses dos três ramos das Forças Armadas.

Concluída em final de 2014, a ISAF que tinha como principal propósito o “treino, aconselhamento e assistência, às forças de segurança afegãs” foi substituída a 1 de janeiro de 2015 por uma nova missão NATO designada Resolute Suporte Mission (RSM). De acordo com o Estado-Maior-General das Forças Armadas, Portugal participa atualmente nesta missão com dez militares, todos na capital Afegã, Cabul, sete os quais no quartel-general da RSM.