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João Soares desafia diplomata a “renunciar já” à indicação para chefe das secretas

Foto Marcos Borga

Depois de Ana Gomes, João Soares, que foi fiscal das secretas, considera que Pereira Gomes não tem “autoridade desejável e necessária” para ser secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa

O deputado do PS e ex-fiscal dos Serviços de Informações, João Soares, desafia o embaixador Pereira Gomes a "renunciar já" à sua indicação para secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP) de modo a "facilitar a tarefa" ao primeiro-ministro de escolher outra pessoa mais apropriada para o cargo.

"Considero que o senhor embaixador Pereira Gomes não tem condições para poder vir a ser, com a autoridade desejável e necessária, o próximo secretário-geral do SIRP", escreveu no Facebook, acerca do ex-chefe da missão de observação portuguesa, ao referendo de Timor, em 1999. "Na minha opinião, o senhor embaixador Pereira Gomes não teve, infelizmente, um comportamento exemplar durante a crise timorense, bem pelo contrário", defende, acrescentando que funda esta opinião no facto de ter sido, durante três anos, membro do Conselho de Fiscalização do SIRP.

Soares, que foi ministro da Cultura de António Costa, declara "conhecer bastante bem o SIRP" e, por isso, "respeitando e admirando o trabalho dos nossos oficiais de informações", considera que Pereira Gomes não tem perfil para o cargo.

No dia 15 de maio, como o próprio destaca, João Soares tinha desejado "bom trabalho" a Pereira Gomes, considerando-o "uma boa escolha" e ressalvando que só o conhecia de "um jantar e simpática conversa em Estocolmo há dois anos".

O deputado do PS soma-se assim à eurodeputada Ana Gomes, que já veio a público criticar Pereira Gomes, considerando que este "não inspira confiança" para o cargo de secretário-geral do SIRP. No PS, aumentam as pressões para que António Costa recue na nomeação de Pereira Gomes que ainda tem que ser sujeito a uma audição no Parlamento.

Em declarações ao Expresso, o primeiro-ministro assumiu que não conhecia a polémica de Timor-Leste, em que o diplomata terá pressionado o Governo a sair do território antes da chegada da missão da ONU.