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Os cinco no Peter Café no Faial

josé Carlos Carvalho

O Presidente da República bebeu um gin com os socialistas Carlos César e Vasco Cordeiro no famoso Peter Café no Faial. “Hoje é impossível fazer política na base apenas da cabeça”, disse à saída. “O relacionamento em política é um relacionamento entre duas pessoas. Se as pessoas se dão bem, é meio caminho andado”. Quanto a otimismos, conclui, ninguém bate o primeiro-ministro

Raquel Albuquerque

Raquel Albuquerque

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Jornalista

José Carlos Carvalho

José Carlos Carvalho

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Fotojornalista

Eram sete da tarde de segunda-feira, depois de uma tarde de sol quente na Horta, ilha do Faial, quando Marcelo Rebelo de Sousa chegou ao famoso café Peter, com vista para o Pico quase todo destapado pelas nuvens. Ao balcão estavam já prontos cinco gins. Marcelo passou para trás do balcão, esperou pelos socialistas Vasco Cordeiro e Carlos César e fizeram um brinde ao qual se juntou o representante da República e o atual dono do famoso café. "Grande momento patriótico", atirou o Presidente, antes de se sentarem todos à mesa.

Marcelo sentou-se à cabeceira da mesa: do lado direito, o presidente do Governo regional dos Açores, Vasco Cordeiro, seguido pela presidente da Assembleia Legislativa, Ana Luísa Luís. Do outro lado, Pedro Catarino, representante da República, e o ex-presidente do Governo regional, o socialista Carlos César.

José Carlos Carvalho

O dono do café levou-lhes cinco pires com cajus e durante mais de meia hora estiveram a conversar. Uma ou outra vez houve turistas que o interromperam para pedir uma fotografia e na rua havia quem esperasse pelo mesmo.

Terminada a conversa, os gins e os cajus, partiram em direção ao jantar. Pelo caminho, percorrido lentamente, Marcelo foi acompanhado por Carlos César e Vasco Cordeiro, que olhavam atentos para as conversas que o Presidente tinha com todas as pessoas com quem se cruzava.

Ora foi uma senhora que veio a correr da padaria onde trabalha para cumprimentar o Presidente, ora um casal açoriano - ela do Corvo, ele do Faial -, ora o casal com um cão e um bebé. "Vai ser um conquistador", disse Marcelo apoiado na cadeirinha a olhar para o bebé.

"Uma viragem política fundamental"

Mas onde é que precisamente o levam os afetos, perguntaram-lhe os jornalistas nesse trajeto para o jantar. "Hoje é impossível fazer política na base apenas da cabeça. Sei que há políticos que entendem que é assim. E eu deveria ser assim talvez. Professor de direito, teoricamente intelectual, deveria ser racional. Mas quem faz política na base apenas do pensamento, achando que os seres humanos são cobaias, a meu ver, não está a ver toda a realidade da política."

José Carlos Carvalho

"Às vezes, há também o risco de se cair na emoção pura e simples, é verdade", afirma, defendendo um "equilíbrio" entre as duas coisas. "O relacionamento em política é um relacionamento entre duas pessoas. Se as pessoas se dão bem, é meio caminho andado. Se as pessoas se dão mal, é o contrário."

"A vinda do Presidente aos Açores passava muito por este universo dos afetos e pela criação de empatias", explicou, acrescentando que na verdade não conhecia bem os titulares do Governo açoriano. "Portanto, o simples facto de passar a conhecer bem é um passo útil no relacionamento." E acrescentou até que, na verdade, Vasco Cordeiro é a pessoa "mais bem disposta do mundo".

Porém, o seu otimismo não fica acima do de António Costa. "São diferentes. O otimismo do senhor primeiro-ministro passa muito pela sua personalidade. Aqui é outro contexto diferente. O presidente do Governo regional também me parece otimista, mas para tomar uma palavra dele próprio, bater o senhor primeiro-ministro em otimismo é muito difícil. Ele diz que é a mim que é difícil bater, mas acho que é a ele que é difícil."

O quinto dia de Marcelo Rebelo de Sousa foi passado na ilha do Faial, à qual chegou no domingo à noite de barco. O plano era chegar de avião à ilha - vindo da Graciosa - mas as nuvens baixas impediram que o avião militar pudesse aterrar e isso mudou os planos. Marcelo aterrou no Pico e veio até à Horta no 'Mestre Simão', o barco que habitualmente faz a travessia do canal.

Sendo esta segunda-feira o Dia da Região Autónoma, Marcelo presidiu a sessão solene na Assembleia Legislativa, na Horta, onde discursou. Ao fim do dia, a caminho do jantar, ainda na Horta, Marcelo voltou a afastar um segundo mandato. E elogiando a "longevidade" e "juventude" dos faialenses, decidiu o que fazer: "É isso. Terminado o meu mandato, venho viver para aqui."