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Exército vai invadir o Alentejo mas está tudo bem

Getty

Orion’17. Está em curso o maior exercício militar realizado todos os anos pelo Exército português. Cerca de 400 paraquedistas irão saltar na zona de Beja e até serão disparadas peças de artilharia

Carlos Abreu

Jornalista

Mais de 1600 militares do Exército português e cerca de 350 oriundos de unidades de Espanha e Estados Unidos participarão durante as próximas semanas no Orion’17, o maior exercício realizado anualmente por este ramo das Forças Armadas. Objetivo: certificar a Brigada de Reação Rápida para operar em ambiente multinacional, as típicas missões da Aliança Atlântica, de que Portugal é país fundador.

Além de espanhóis, que chegaram esta segunda-feira, e norte-americanos (na quarta-feira), marcarão ainda presença observadores italianos e dois oficiais brasileiros, um dos quais estará presente no posto de comando, que ficará instalado no Regimento de Infantaria n.º 1, em Beja. A comandar esta força multinacional estará o comandante das Forças Terrestres, tenente-general Faria Menezes.

Durante a apresentação do exercício à imprensa que decorreu esta segunda-feira, precisamente no Comando das Forças Terrestres, na Amadora, além do reforço da dimensão internacional do Orion’17, o Exército destacou ainda o apoio que será prestado à população na forma de cuidados de saúde, com todo o ênfase a ir para os rastreios oftalmológicos.

As unidades sanitárias do Exército irão trabalhar numa lógica de interagência, contando com a colaboração da Cruz Vermelha. Este tipo de ações decorrerá entre 12 e 19 de junho nos concelhos de Beja, Ferreira do Alentejo, Vidigueira, Aljustrel e Serpa.

Sobre a operação militar propriamente dita, os momentos de maior visibilidade estão previstos para 15 de junho com o salto de cerca de 400 paraquedistas na zona de Beja e o exercício com fogos reais nos dias 17 e 18.

No cenário traçado para edição deste ano do Orion, tudo começa com a invasão de um estado-membro da NATO, batizado como Arland, por um grande país, Torrike, através de um exercício militar em janeiro de 2017. Confrontada com uma a segunda vaga invasora, onde Arland recorre a meios aéreos e navais, a Organização das Nações Unidas emana uma resolução em que autoriza a Aliança Atlântica a intervir militarmente.

A força militar multinacional empenhada, na qual a maior parte dos operacionais são militares da Brigada de Reação Rápida do Exército português (que integra Paraquedistas, Comandos e Força de Operações Especiais, conhecidos como os Rangers, entre outros), é projetada por via aérea em aeronaves de transporte, como os Hércules C-130, de diversos países membros da NATO. O seu principal objetivo é garantir a chamada “cabeça de ponte áerea”, isto é, criar condições para que outras forças venham substituir esta força inicial, permitindo, caso o comando conjunto da Aliança (sedeado em Nápoiles, itália) assim o entenda, enviar mais ‘botas’ para o teatro de operações que o Exército descreveu esta manhã como “volátil, incerto, complexo, ambíguo e urbano”.