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Marcelo almoçou com pescadores na Graciosa e foi de barco para o Faial

As 400 postas de peixe couberam em três grandes tachos e conseguiram não só que Marcelo gostasse do prato, como até se levantasse para se servir, ele próprio, uma segunda vez

José Carlos Carvalho

Ao quarto dia de visita, Marcelo esteve na Graciosa e um grupo de pescadores fez-lhe o almoço. Já o nevoeiro no Faial atraiçoou-lhe os planos seguintes e obrigou-o a aterrar de novo no Pico, de onde apanhou o barco “Mestre Simão” até à Horta, no Faial

Raquel Albuquerque

Raquel Albuquerque

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Jornalista

José Carlos Carvalho

José Carlos Carvalho

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Fotojornalista

Ao longo da última semana, os pescadores de Santa Cruz da Graciosa foram ao mar várias vezes para trazer para terra os 350 quilos de congro para o almoço deste domingo. À mesa, o peixe regado com caldo, feito pelos pescadores para o Presidente da República, foi acompanhado por 100 quilos de batatas, apanhadas durante esta manhã.

“É um prato fácil de fazer e é rápido”, explica Hugo Melo, pescador de 39 anos, nascido na Graciosa. Foi o tio e o primo que cozinharam o conhecido “Molho do Pescador”, prato típico da Graciosa “que não tem nada a ver com caldeirada”, explicou.

Os pescadores deram-lhe a provar o molho que fizeram durante amanhã para o almoço

Os pescadores deram-lhe a provar o molho que fizeram durante amanhã para o almoço

José Carlos Carvalho

As 400 postas de peixe couberam em três grandes tachos e conseguiram não só que Marcelo gostasse do prato, como até se levantasse para se servir, ele próprio, uma segunda vez. “O Presidente diz que gostou e até veio aqui buscar mais uma posta. Ele gosta é das abas do congro, que é assim uma parte mais marisqueira, é a parte da barriga”, conta Hugo.

O almoço ficou a cargo da Associação de Pescadores Graciosenses, organizado para 350 pessoas, em parceria com a Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa. O Presidente da República foi visitar a cozinha quando chegou, deram-lhe a provar o molho da panela com uma concha, falou com os pescadores e tirou fotografias, já depois de ter ouvido a atuação de um grupo de música popular.

O Presidente da República sentado à mesa, pronto para almoçar, ao lado do presidente do Governo regional dos Açores, Vasco Cordeiro

O Presidente da República sentado à mesa, pronto para almoçar, ao lado do presidente do Governo regional dos Açores, Vasco Cordeiro

José Carlos Carvalho

“Algumas famílias ainda vivem à base da pesca aqui. Temos 34 embarcações e diria, talvez, 150 pescadores. Agora é multiplicar isso pelas famílias para perceber quantas pessoas ainda dependem das pescas”, conta Hugo Melo. O filho, de nove anos, gosta do mar e da pesca. “Ontem levei-o comigo, foi aos congros.” E que futuro imagina para ele? “Não vale a pena imaginar que seja a pesca. Não é esse o futuro. Daqui a 20 anos, a Graciosa não terá nem metade das pessoas.”

Há mais de 50 anos, conta, a Graciosa tinha 12 mil habitantes, agora tem cerca de 3 mil. “A falta de emprego é uma razão, mas não é a única. Muitos locais não querem estar aqui e tenho colegas que foram para São Miguel que também não querem voltar para cá.”

A sua sorte, acrescenta, é não viver totalmente dependente da pesca. Até porque, por exemplo, a sua quota máxima para apanhar goraz - um peixe que conseguem exportar e que representa a maior parte do rendimento dos pescadores da Graciosa - é de uma tonelada por ano. Desde o início do ano até agora já apanhou 600 quilos - ou seja, 60% da quota, o que significa que durante um tempo terá de parar. “Eu desenrasco-me com outras coisas, mas há pescadores que dependem só disto e têm os barcos parados porque já têm a quota rebentada.”

Hugo Melo não se lembra de ter visto nenhum outro Presidente da República na Graciosa. Se a população estava entusiasmada? “Claro. Acho que, como se vê na televisão, ele é um homem do povo. Os outros Presidentes da República eram mais secos, queriam mais resolver os problemas deles. E este não. Ele cumprimenta toda a gente, não tem preconceito com ninguém.”

E assim que acabou o almoço, Marcelo seguiu o plano e foi visitar a fábrica das Queijadas da Graciosa. “O último a chegar às queijadas não as come”, disse quando partiu, rodeado de pessoas. A uma senhora com quem se cruzou perguntou pela saúde. “Tem alguma maleita de que se queixe? Coluna, coração, pulmões?” Perante a resposta negativa, tirou a sua conclusão. “Então quem está mal sou eu.”

A caminho entre o porto de pescas e a fábrica, o Presidente falou com várias pessoas com quem meteu conversa

A caminho entre o porto de pescas e a fábrica, o Presidente falou com várias pessoas com quem meteu conversa

José Carlos Carvalho

Pelo caminho - ainda que curto - até à fábrica, teve tempo para ir falando com mais pessoas. “Isso é que é uma bigodaça, também tive, mas nunca tive assim”, atirou a um senhor que veio ter com ele e que lhe disse lembrar-se dos tempos em que Marcelo era comentador político na TVI. “Tempos em que eu era jovem. Mas agora estão outros jovens lá, de muito valor, a fazer comentário e eu a ser comentado.” E rapidamente mudou de assunto: “Patilhas é que eu nunca tive umas assim. Como é que as faz?”

Marcelo visitou a fábrica das Queijadas da Graciosa, onde lhe explicaram o processo de produção antes de, no final, as provar

Marcelo visitou a fábrica das Queijadas da Graciosa, onde lhe explicaram o processo de produção antes de, no final, as provar

José Carlos Carvalho

Já na fábrica, explicaram-lhe os vários passos da produção das queijadas e no final puseram-no à frente de uma mesa com vários pratos de doces, que Marcelo foi provando. “O que comi hoje não tem descrição”, concluiu à saída. Aquela visita, também ela “simbólica”, é um exemplo de uma empresa que pode dar emprego. “É uma empresa que exporta para fora, mas no mercado açoriano abrange outras ilhas.”

Questionado sobre se acha que a Graciosa tem condições para atrair e fixar a população, o Presidente acredita que sim. “Há potencialidades enormes”, disse, dando exemplo de projetos de turismo ou até mesmo em concreto a fábrica das queijadas que visitara.

Apesar de o bom tempo o acompanhar desde o dia em que chegou aos Açores, este domingo as nuvens baixas atraiçoaram-lhe os planos. O programa da visita oficial de seis dias previa que hoje o Presidente partisse de avião para a ilha do Faial. Contudo, o nevoeiro obrigou-o a aterrar de volta na ilha do Pico, de onde partiu no barco "Mestre Simão” às 18h (19h em Lisboa), com destino à Horta.

[notícia atualizada às 19h26]

  • Marcelo almoça com pescadores na Graciosa

    Marcelo Rebelo de Sousa visitou este domingo a ilha mais envelhecida dos Açores. Na Graciosa, o Presidente da República almoçou com pescadores e defendeu que o sector das pescas merece ter mais atenção, depois de ter sofrido muito nos últimos anos

  • Renato tentou em vão que Marcelo subisse ao Pico

    Apareceu com uma caneta e uma bota na mão no local onde o Presidente da República estava a provar vinhos, no meio das vinhas da ilha do Pico, para lhe pedir que a assinasse. “Provavelmente não haverá muitas mais oportunidades para isto”, explicou o guia da montanha mais alta do país