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Renato tentou em vão que Marcelo subisse ao Pico

Ao terceiro dia de visita oficial nos Açores, o Presidente da República chega à quarta ilha: o Pico

José Carlos Carvalho

Apareceu com uma caneta e uma bota na mão no local onde o Presidente da República estava a provar vinhos, no meio das vinhas da ilha do Pico, para lhe pedir que a assinasse. “Provavelmente não haverá muitas mais oportunidades para isto”, explicou o guia da montanha mais alta do país

Foi aos sete anos que Renato Goulart subiu ao Pico pela primeira vez. Passou lá a noite e apanhou tanto frio que jurou para nunca mais. Mas aos 14 anos voltou a tentar e desde então já lá vão 2027 subidas à montanha mais alta de Portugal. Este sábado, apareceu com uma caneta e uma bota na mão no Lajido da Criação Velha, onde estava Marcelo Rebelo de Sousa. Queria que o Presidente da República lhe assinasse a bota.

Marcelo estava numa prova de vinhos do Pico, mesmo no meio das vinhas, acabado de chegar à ilha, vindo da Terceira. Com o Presidente estava o presidente do Governo Regional dos Açores, o socialista Vasco Cordeiro, que o tem acompanhado desde que chegou na passada terça-feira, para além do presidente da Câmara Municipal da Madalena, José António Soares, e membros do governo regional.

José Carlos Carvalho

À sua volta, Marcelo tinha a paisagem da cultura da vinha composta por longos muros de pedra rodeando pequenos rectângulos onde são plantadas as videiras e que servem para as proteger do vento e da água do mar. Assim, olhando à volta, o verde das plantas pontua a paisagem de pedra negra.

José Carlos Carvalho

Renato Goulart decidiu que deveria aproveitar a vinda do Presidente da República à ilha do Pico, no âmbito da sua visita oficial aos Açores, para lhe pedir que assinasse uma das botas que usou nas subidas ao Pico. Com a bota na mão, empoeirada, “mas bem conservada”, Renato explicou que a última subida em que a calçou foi a 20 de setembro de 2013. Depois disso arrumou-a. “Faço questão que o Presidente assine a bota porque provavelmente não haverá muitas mais oportunidades para isso.”

55 minutos para subir o Pico

Assim que terminou a prova de vinhos, Renato, de 44 anos, levou a bota e a caneta na mão até ao Presidente, contando-lhe o número de vezes que subiu ao Pico e conseguiu que Marcelo a assinasse. “Em menos de quatro meses, subi mais de 100 vezes." E no total de 2027 subidas já fez 17 mil quilómetros.

José Carlos Carvalho

Hoje chega a subir três vezes por dia ao Pico. Porquê? “É a minha paixão.” E se normalmente a subida à montanha de 2351 metros leva entre três a três horas e meia para ser feita, o guia consegue subir em 55 minutos e descer em 27 minutos.

Renato ainda tentou desafiar o Presidente da República a subir o Pico - levaria umas três horas e o tempo até estava bom para o fazer. Marcelo pareceu mostrar algum interesse - causando algum receio entre quem o rodeava - mas acabou por seguir o programa traçado. Relembraram-lhe, no entanto, que Durão Barroso foi até lá a cima a pé, “e até estava mau tempo”. Mário Soares também lá foi numa vinda aos Açores, mas só de helicóptero.

José Carlos Carvalho

Marcelo Rebelo de Sousa não seguiu a sugestão e optou por continuar o programa que estava previsto, seguindo para São Roque do Pico, para um encontro com o líder do PSD/Açores, Duarte Freitas.

Ao terceiro dia de visita oficial nos Açores, o Presidente da República chega à quarta ilha - tendo já passado pelo Corvo, Flores e Terceira. Pela frente tem ainda a Graciosa, Faial e São Jorge, que ficarão para os próximos dias, terminando a visita na terça-feira. A ida às duas ilhas que ficaram de fora - São Miguel e Santa Maria - já está agendada para outubro deste ano.

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