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'Os Verdes' dizem que Trump declarou guerra à sustentabilidade do planeta

MANUEL DE ALMEIDA/Lusa

O PEV afirma esperar que os signatários do acordo de Paris continuem o seu trabalho para o cumprimento dos objetivos do tratado

O Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) considerou esta quinta-feira que o presidente norte-americano, Donald Trump, declarou guerra à sustentabilidade do planeta ao anunciar a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris.

Em comunicado, os Verdes consideraram condenável esta decisão da administração norte-americana, tendo em conta que "significa a demissão de um dos maiores emissores de gases com efeito de estufa (representando um total de cerca de 18 por cento das emissões mundiais) do objetivo de combater e mitigar o aquecimento global do planeta".

"Trump declarou hoje, formalmente, guerra à sustentabilidade do planeta, pondo em causa o único documento existente ao nível mundial para se poder enfrentar globalmente as alterações climáticas", referiu o partido ecologista em comunicado.

Numa comunicação nos jardins da Casa Branca, em Washington, Donald Trump confirmou esta quinta-feira a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris e disse que está preparado para negociar um novo tratado.

O Acordo de Paris "é um exemplo desvantajoso para os Estados Unidos", disse Donald Trump, que considerou o tratado como sendo pouco exigente para com a China e a Índia.

O PEV disse esperar que os signatários do acordo de Paris continuem o seu trabalho para o cumprimento dos objetivos do tratado e que encontrem mecanismos que não permitam que os EUA possam beneficiar economicamente pelo facto de não pretenderem colaborar nessa luta global necessária.

O partido ecologista português disse ainda esperar que os ecologistas norte-americanos, bem como os ecologistas ao nível global, sejam proativos na contestação a esta decisão de Trump.

"Trump não pode ganhar com esta aberração de abandonar o acordo de Paris, porque o mundo (incluindo EUA) perde com ela", adianta o PEV.

Concluído em 12 de dezembro de 2015 na capital francesa, assinado por 195 países e já ratificado por 147, o acordo entrou formalmente em vigor em 4 de novembro de 2016, e visa limitar a subida da temperatura mundial reduzindo as emissões de gases com efeito de estufa.

Portugal ratificou o acordo de Paris em 30 de setembro de 2016, tornando-se o quinto país da União Europeia a fazê-lo e o 61.º do mundo.

O acordo histórico teve como "arquitetos" centrais os Estados Unidos, então sob a presidência de Barack Obama, e a China, e a questão dividiu a recente cimeira do G7 na Sicília, com todos os líderes a reafirmarem o seu compromisso em relação ao acordo, com a exceção de Donald Trump.