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Marcelo: Alterações climáticas são realidade “óbvia” e vão impor-se a Trump

Marcelo Rebelo de Sousa no Miradouro do Portal, de onde se vê o Ilhéu de Monchique, o ponto mais ocidental da Europa, localizado na Ilha das Flores

José Carlos Carvalho

O problema das alterações climáticas existe e a decisão de Trump é como tentar “tapar o sol com um dedo”, defendeu o Presidente da República, em reação à saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris sobre o clima. “Negar esse problema não o faz desaparecer”, afirmou

Raquel Albuquerque

Raquel Albuquerque

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José Carlos Carvalho

José Carlos Carvalho

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Marcelo Rebelo de Sousa considera que a necessidade de olhar para as alterações climáticas é "óbvia". "Negar esse problema não o faz desaparecer", afirmou esta quinta-feira, no primeiro dia da sua visita oficial aos Açores, em reação à saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris sobre o clima. "É como achar que se pode tapar o sol com um dedo. O sol está lá e o dedo não o tapa."

"Como disse o sr. engenheiro António Guterres, o afastamento de um obriga a todos os demais unirem-se em torno daquilo que é fundamental para a humanidade", acrescentou Marcelo Rebelo de Sousa, no momento em que estava nas Lajes das Flores, a freguesia mais ocidental da Europa.

"Bem pode haver quem se considera importantíssimo no mundo e que o negue, mas isso não altera a realidade. A realidade é o que é", declarou, defendendo ainda que não é uma "posição isolada por mais importante que se considere" que tem capacidade de a mudar. E acrescentou: "Os povos perduram, as nações perduram e os presidentes passam e os governos passam".

O Presidente da República disse ainda que a Europa "tem aqui uma causa justa, que é real" e que deve continuar a ser a "campeã desta causa".

Em causa está o facto de ter sido confirmado esta quinta-feira que os Estados Unidos da América já não fazem parte do Acordo de Paris sobre o clima, aprovado em 2015 e assinado há um ano.

Com o intuito de cumprir solenemente o meu dever de proteger a América e os cidadãos norte-americanos, os EUA vão retirar-se do Acordo de Paris”, anunciou, após ter sido apresentado pelo vice-presidente, Mike Pence.

O Presidente dos EUA justificou a saída do acordo como forma de proteger o país, que, defendeu, “é prejudicado ao mais alto nível” e “bloqueia o desenvolvimento das energias limpas”. Desde já, Trump vai cortar no financiamento do Fundo Verde do Clima e deixar de contribuir para o Pacto de Paris.

“O acordo de Paris deixa os EUA em desvantagem constante perante o resto do mundo, deixando os custos para os trabalhadores e contribuintes norte-americanos, e levando ao encerramento de fábricas”, argumentou. “Fui eleito para representar os cidadãos de Pittsburgh, não os de Paris”, acrescentou.