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Valentim Loureiro: “Não corro contra ninguém, que isto não é boxe”

Valentim Loureiro candidata-se como independente ao concelho que liderou durante 20 anos depois de ter falhado o apoio do PSD. Questionado se o travão foi o veto de Passos Coelho, Valentim diz que “não foi bem veto”, até porque nada pediu ao líder do PSD. “Nunca o procurei, nunca falei com ele, nem nunca me relacionei com ele”, remata

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Aos 78 anos, após um mandato de interregno, Valentim Loureiro decidiu, ontem, voltar a concorrer como independente ao município que liderou entre 1993 e 2013, ano em que deixou a Câmara de Gondomar por forçar da lei de limitação de mandatos. Ainda em fase de elaboração de listas e recolha de assinaturas, o ex-autarca do PSD a quem Marques Marques Mendes retirou a confiança política pelo seu envolvimento no processo Apito Dourado - o que não o impediu de ganhar como independente as autárquicas de 2005 e 2009 - afirma estar pronto para “uma corrida em linha” até 1 de outubro.

“Não corro contra ninguém, que isto não é boxe, numa campanha de quatro meses que, como sempre, vou fazer sem rasteiras”, refere Valentim Loureiro, que lembra que está igual ao que foi: “Um homem de afetos, feliz quando resolvo os problemas de quem me procura, tal como aconteceu nos 20 anos em que estive em Gondomar. Falo com toda a gente, ouço e resolvo, só não tiro selfies como o professor Marcelo”.

A razão pela qual volta a candidatar-se, remonta há meia dúzia de meses, quando, “sem pedir nada”, Bragança Fernandes, líder da Distrital do PSD do Porto o apontou, numa entrevista ao Jornal de Notícia, que Valentim Loureiro, seria um ótimo candidato. “Foi ele que lançou a ideia porque sabe que eu sempre fui um social-democrata e, usando as palavras, dele um candidato ganhador por natureza”, recorda o antigo presidente do Boavista e da Liga de Clubes.

De acordo com Valentim Loureiro, também José Luís Oliveira, líder da concelhia do PSD de Gondomar concordou que devia ser o candidato do partido, mas o ex-autarca colocou garantias “que não interessa agora dizer quais porque não foram atendidas”. Questionado se o travão foi o veto de Pedro Passos Coelho à sua candidatura, Valentim diz que “não foi bem veto”, até porque nada pediu ao líder do PSD. “Nunca o procurei, nunca falei com ele, nem nunca me relacionei com ele”, remata, sublinhando que o que o move são as pessoas que têm “saudades e acham que lhes sou útil”.

A candidatura ter por mote 'Gondomar - Valentim Loureiro - Coração de Ouro', tendo o cabeça de lista à assembleia Municipal Leonel Viana, ex-presidente do PSD de Gondomar e ex-vereador da câmara local. O nº2 e coordenador autárquico será Joaquim Viana, também ex-vereador da Câmara de Gondomar.

Nas eleições de outubro, Valentim terá por mais fortes concorrentes o atual presidente socialista Marco Martins, que o sucedeu com maioria absoluta, e Rafael Amorim, candidato do PSD e seu-ex-chefe de gabinete "durante uns meses”. Ainda sem data oficial de apresentação de candidatura, o candidato independente afiança que não precisa de muito tempo para fazer campanha, até porque a sua obra de 20 anos “fala por si”. E ainda porque, como gosta de recordar, nunca perdeu uma eleição: “Todos os lugares onde estive não foi por nomeação, foi por eleição. Foi assim no Boavista, na Liga de Clubes, na Junta Metropolitana do Porto, na Metro do Porto, e na Câmara de Gondomar”.

Nas autárquicas de 2013, Valentim Loureiro apoiou o independente Fernando Paulo, lista onde figurava como presidente da Assembleia Municipal, candidatura que que poucos dias antes das eleições foi impedida de ir a votos por as listas não respeitarem todos os requisitos da lei das candidaturas independentes, agora revista. “Foi um golpe baixo do PS e do PSD, mas a nova lei está facilitada para os independentes, o que muito para isso contribuiu Rui Moreira”, adianta.