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Passos: “Retórica do Governo não casa com realidade” no sector da saúde

O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, acompanhado por Luís Montenegro, conversa com um médico durante a visita realizada ao Hospital de Faro, inserida no âmbito das Jornadas Parlamentares do partido

Luís Forra / Lusa

O primeiro dia das jornadas parlamentares do PSD, o presidente do partido e o líder parlamentar dos sociais-democratas visitaram o Centro Hospitalar do Algarve e as urgências do Hospital de Faro

O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, defendeu esta terça-feira que a "retórica do Governo não casa com a realidade" em várias áreas, como a saúde, e questionou que o Algarve tenha deixado de ser uma prioridade para o executivo.

O primeiro dia das jornadas parlamentares do PSD, que decorrem até quarta-feira em Albufeira (Faro), começou com 15 visitas simultâneas dos deputados sociais-democratas a vários concelhos algarvios, com Passos Coelho e o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, a visitarem em conjunto o Centro Hospitalar do Algarve e as urgências do Hospital de Faro.

"Há uma retórica que não casa com a realidade, a realidade que temos precisa de ser melhorada, nomeadamente na área da saúde", afirmou Passos Coelho, no final de uma reunião de mais de duas horas com representantes sindicais dos médicos e enfermeiros da Região, depois de outra com a administração.

O líder do PSD defendeu que o Algarve precisa de um hospital novo e disse não compreender que esta Região não esteja incluída nas prioridades do executivo.

"Sabemos que não o podemos construir de um dia para o outro, mas não aceitamos que o Governo tenha incluído a construção de novos hospitais no Orçamento do Estado para 2017 que até à data não saíram do papel e que nas quatro prioridades não esteja o Algarve", lamentou.

Passos Coelho salientou que, além da população algarvia, a região recebe picos de turistas em várias alturas do ano e considerou que, sem um novo equipamento, "será muito difícil atrair novos médicos e novos enfermeiros".

Questionado sobre a razão por que não construiu esse hospital durante o Governo que liderou, Passos respondeu que na altura "não havia dinheiro" para o fazer, tendo sido dada prioridade à melhoria das urgências do Hospital de Faro.

"Mas há um limite para melhorar o serviço prestado", disse, lamentando que em alturas de "maior normalidade" financeira se mantenham os mesmos problemas.

"Esta é uma prioridade que desapareceu e não percebemos porquê", insistiu.

Questionado se o PSD vai tomar alguma iniciativa no parlamento sobre esta matéria, o líder do PSD sublinhou que o partido "tem contrariado essa retórica demagógica", nomeadamente de que não haveria custos acrescidos da redução das 40 para as 35 horas na função pública.

Sobre os 19 milhões já anunciados para o Centro Hospitalar do Algarve, Passos disse ter constatado, nas reuniões que manteve esta terça-feira, que "até à data ainda não ocorreu" qualquer investimento.

"Quando o ministro das Finanças percebeu que podia estar em jogo a meta do défice, cortou investimento público e também na saúde", afirmou, acrescentando que se o Governo quiser continuar a cumprir as metas orçamentais terá de fazer ajustes em alguma área, mas advertindo que qualquer corte na área da saúde tem efeitos no dia-a-dia das pessoas.

Depois de falar com os jornalistas, Passos Coelho foi abordado por três utentes do Hospital de Faro que, em tom cordato, o alertaram para os problemas vividos diariamente nesta instituição.

Passos Coelho escusou-se a comentar esta terça-feira outras matérias, nomeadamente as declarações do comissário europeu Pierre Moscovici sobre o comportamento das agências de rating em relação a Portugal, dizendo querer focar-se nas dificuldades do sector da saúde, em particular no Algarve.

A abertura oficial das jornadas está marcada para o início da tarde, com uma intervenção do líder parlamentar, seguindo-se uma reunião fechada dos deputados sociais-democratas.

O primeiro dia de trabalhos encerra com um jantar-conferência que tem como orador convidado o professor universitário e politólogo Jaime Nogueira Pinto.