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Depois do silêncio, Garcia Pereira explica o afastamento do MRPP

Foto de arquivo de Garcia Pereira durante a campanha eleitoral em 2015

RUI MINDERICO / LUSA

Diz-se traído por uma amigo que considerava “até como um pai”. Quase dois anos após ter apresentado a demissão do MRPP, o advogado acusa o "Luta Popular" de se ter tornado “num instrumento de puro ódio e dos ataques pessoais”

Quase dois anos depois de ter sido suspenso do Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses/Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (PCTP/MRPP), António Garcia Pereira quebra o silêncio. O advogado diz que se sentiu traído por alguém que considerava “um verdadeiro Amigo e até como um Pai”, referindo-se a Arnaldo Matos, fundador do MRPP.

“Tenho de admitir humildemente que fiquei, ao ver-me apodado de social-fascista, de anticomunista primário e de outros epítetos similares que nada têm que ver com a minha posição e com a minha postura. Posso ter cometido erros e cometi-os, efetivamente, ao longo da minha vida política e, designadamente, na última campanha eleitoral, mas ‘social-fascista’, isto é, socialista nas palavras mas fascista nos atos, e ‘anticomunista primário’, entre outros desses epítetos, é coisa que não sou, nunca fui e nunca serei”, escreve o advogado no site, que diz ter precisado de “tempo para digerir toda esta situação”.

Garcia Pereira explica que o seu silêncio, até agora, se deveu à “completa estupefação e autêntico estado de choque”. Agora, além de explicar as razões do silêncio, o advogado publica ainda série de textos (“todos [escritos] com muito custo”) sobre temas que considera serem mentiras “descaras” e “intencionais” no "Luta Popular", jornal online do MRPP. Procuram, acusa Garcia Pereira, “a todo o transe, reescrever e falsificar a História”. Num dos textos publicados, Garcia Pereira acusa ainda o "Luta Popular" de ter sido transformado num “instrumento de puro ódio e dos ataques pessoais” após a suspensão dos quatro membros do Comité Permanente”.

Em novembro de 2015, Garcia Pereira apresentou a demissão do PCTP/MRPP, depois de ter sido suspenso do Comité Permanente do Comité Central, alegando ataques pessoais “e imputações infamantes de toda a ordem, sem qualquer possibilidade de debate”, que foram publicados no jornal online do partido. Depois, não prestou mais declarações sobre o assunto.

Após as legislativas de 2015, foram suspensos do partido Luís Franco, secretário-geral, e mais quatro elementos do Comité Permanente do Comité Central, por serem considerados os “principais responsáveis” pela derrota (não conseguiram eleger qualquer deputado).

Então e porquê quebrar o silêncio neste momento? Pelo “dever de repor a verdade relativamente a todo um conjunto de factos que têm estado a ser intencionalmente apagados e/ou deturpados no ‘Luta Popular’ online”, o dever “de uma explicação” e não poder mais “ignorar situações que me revolvem as entranhas”.

“Acredito que é chegada a hora de repor a verdade. Com a dignidade, a seriedade e a humildade que a deve caracterizar. Sem insultos. Sem baixarias como aquelas de que tenho sido consecutivamente alvo. Sem ofensas pessoais. E principalmente sem revelar um único facto sobre a vida pessoal e profissional de Arnaldo Matos, que conheço, e muito bem, desde há décadas. Essa será pelo menos a minha grande vitória sobre a indignidade e a mentira”, conclui Garcia Pereira.