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Cristas diz que Costa partilha 40% do “Governo malfadado” de Sócrates

Assunção Cristas

Tiago Miranda

Durante o debate quinzenal, a líder do CDP-PP afirmou que encontram-se ainda do lado socialista muitos dos que “puseram o país no buraco”

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, afirmou esta terça-feira que o executivo de António Costa partilha 40% de elementos com “o Governo malfadado” de José Sócrates, encontrando-se ainda do lado socialista muitos que “puseram o país no buraco”.

“Aí, muitos puseram o país no buraco, deste lado todos ajudaram a tirar”, acusou Assunção Cristas, no debate quinzenal com o primeiro-ministro, António Costa, indicando que, entre ministros, secretários de Estado e assessores, o atual executivo tem “40% de coincidência” com o de José Sócrates.

António Costa tinha dito à líder do CDS que se orgulhava de ter integrado um executivo que atingiu um défice abaixo dos 3% para Portugal aderir ao euro, e de em 2008 fazer também parte de um Governo que tirou o país do procedimento por défice excessivo, como a Comissão Europeia propõe que aconteça agora.

“Falou do orgulho de 2008 mas não do orgulho de 2009. Afinal o que é que se passou em 2009, em 2010? Deste lado, todas as pessoas que se sentam nesta bancada têm orgulho de terem pertencido ao grupo daqueles que ajudaram, do primeiro ao último dia, o país a sair do procedimento por défice excessivo”, afirmou Assunção Cristas.

Na reposta, António Costa disse que em 2009 estava na Câmara de Lisboa, onde um atual apoiante da candidatura de Cristas aquela autarquia, António Carmona Rodrigues (independente eleito pelo PSD), havia "conduzido a uma crise tal" a instituição que levou à dissolução dos órgãos e convocação de inéditas eleições intercalares.

“Em 2009, estava reduzir em 40% a dívida da Câmara Municipal de Lisboa”, afirmou António Costa, sublinhando a “crise financeira e política” em que, disse, a autarquia se encontrava.

A presidente do CDS começou por afirmar que os centristas partilham da “alegria de ver os esforços dos portugueses reconhecidos pela Comissão Europeia”, que propôs a saída do país do chamado procedimento por défice excessivo.

Assunção Cristas argumentou que é agora é tempo de tudo ser feito para não voltar a essa situação e “aproveitar esta oportunidade, a juntar ao resto da conjuntura internacional”, que considera favorável à criação de emprego, investimento nos serviços públicos, e “orçamentos realistas, e não orçamentos que vivam de cativações”.

Em forma de questões colocadas ao primeiro-ministro, a presidente do CDS argumentou que sempre defendeu que era possível, em simultâneo, haver crescimento económico e equilíbrio das contas públicas, crescer sem renegociar a dívida e diminuir o desemprego, mantendo a reafirma laboral do anterior Governo.

Cristas defendeu que este crescimento foi “feito à conta das exportações”, um “modelo de exportações e crescimento do investimento privado”, que havia sido já seguido pelo Governo PSD/CDS-PP, ao contrário de “um modelo de consumo privado e investimento público, que ainda não provou nada”.

O primeiro-ministro defendeu, por seu turno, não existir qualquer contradição entre o crescimento sustentado pelas empresas exportadoras e a prioridade à reposição de rendimentos.

“Não é necessário empobrecer e uma política de baixos salários para que as nossas empresas sejam competitivas”, afirmou, apontado que a subida do salário mínimo nacional não prejudicou as empresas exportadoras.

Assunção Cristas questionou ainda António Costa sobre os esforços e a prontidão do executivo na eventualidade de ser necessário retirar da Venezuela cidadãos portugueses, mas o primeiro-ministro respondeu que todas as questões tinham sido respondidas pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, chamado pelo CDS à comissão de Negócios Estrangeiros, numa reunião que decorreu à porta fechada.